AMEAÇAS AO ENSINO DO PORTUGUÊS NAS UNIVERSIDADES EUROPÉIAS – por Sílvio Castro

 

A grande crise econômico-financeira que percorre toda a Comunidade Européia está por fazer uma outra vítima: o ensino universitário da Língua Portuguesa. No campo universitário dos muitos países em crise desde há muito se planeja suprimir determinadas disciplinas, consideradas quase como supérfluas por dirigentes administrativos, em geral sem maior visão do problema cultura. Uma tal posição encontra igualmente apóio, quanto ao setor de ensino de línguas estrangeiras, na poderosa casta de professores catedráticos das línguas consideradas – sem razões mais profundas – como principais. Nesse caso particular, quanto ao inglês e ao espanhol. A língua portuguesa sofre nos âmbitos universitários europeus, não só da primazia do inglês, mas muito especialmente e, por razões muito pouco razoáveis, do espanhol. O grande vício de considerar o português como um apêndice da língua castelhana, isto mesmo em ambientes eruditos, mas pouco desenvolvidos linguisticamente, continua vivo e ativo.

 

Como membro da Universidade de Pádua, onde o ensino da língua portuguesa foi inaugurado por mim no já distante ano-acadêmico 1962-1963 (no próximo ano festejaremos o evento do Cinquentenário da Língua Portuguesa na Universidade patavina), mesmo já aposentado, e precisamente por isso, devo denunciar as ameaças que já perpassam por ali. Isto se verifica igualmente nas outras 22 universidades italianas que progressivamente criaram o dito ensinamento, formando um grande quadro de 23 unidades que anualmente fornecem uma condigna formação a mais de 2000 estudantes (em Pádua, o setor ocupa o terceiro lugar entre

as línguas estrangeiras, com aproximadamente 200 inscritos anualmente).

 

Necessário ainda uma vez é recordar que a UE, no seu Congresso Especial sobre o ensino das línguas estrangeiras, em Lille, França, concluiu que a Comunidade deve sempre desenvolver o polinguismo como base de sua direta estrutura estável. Na oportunidade representei a Universidade de Pádua, o mesmo acontecendo logo em seguida naquele de Lisboa.

 

Porém, as ameaças continuam por toda a Europa comunitária. O último caso concreto se verifica na Universidade de Utrecht, Holanda. Ameaçados de fechamento, os professores de português da universidade holandesa convidam todos aqueles que sentem a necessidade de batalhar contra um ato insano a testemunhar publicamente suas posições. Para isso, ficam todos convidados a aderir diretamente ao protesto subscrevendo o manifesto correspondente com a própria assinatura. Para assim fazer, pode-se encontrar a ficha de adesão nos seguintes endereços indicados pelos docentes holandeses:

 

htpp://www.change.org/petitions/chair-og-the-board-of-governance-of-utrecht-university-save-portuguese-at-utrecht-university

 

https://www.facebook.com/groups/261756527226966/

4 Comments

  1. Caríssimo Sílvio,Não tenho, nem quero ter “facebook” e o outro endereço que enviaste não vai dar a lado nenhum, por lhe faltar um “objecto associado”, como aparece escrito, quando tento utilizá-lo…Como poderei dar-lhe a volta?Abração,Paulo

  2. Amigo Silvio,Consegui fazer a assinatura no link em defesa do ensino de português nas universidades européias. Parabéns pelo belo artigo!André WogelBrasilia – Brasil

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