Meu caro Carlos Loures
Ontem referia-me ao comportamento cínico dos europeus, e não só, de poderem estar à espera que os Chineses caiam por si e antes de nós, para podermos reaver mais barato o que lhes temos estado a vender, o que em saldo lhes temos estado a dar para assim se nacionalizar. E dissemos que isto representa e mais uma vez a falência total do sistema europeu, sistema que é necessário manter, custe o que custar, diz-nos Passo Coelho.
Curiosamente num texto que publicaremos na quarta série sobre Globalização e Desindustrialização, um antigo secretário de Estado da Administração Reagan diz-nos:
“Dada a incompetência que reina em Washington e em Wall Street, a nossa maior esperança é a de que o resto do mundo seja ainda menos competente e esteja até em dificuldades muito mais profundas que as nossas. Neste caso, o dólar dos EUA pode sobreviver como moeda a moeda que tem mais valor de entre as moedas que não têm valor pertencente ao conjunto mundial de moedas sem valor num mundo de moedas sem valor intrínseco que circulam apenas por garantia dos governos, não sendo também garantidas por reservas.
E tem razão, a incompetência na Europa é bem pior e assim, ainda assim, os Estados Unidos vão andando enquanto nós, os Europeus, nos vamos afundando.
Mas para minha surpresa, o Le Monde trazia uma informação curiosa, a propósito dos problemas da China, trazia a posição de Joe Biden, actual vice-Presidente dos EUA:
“A cause de cette politique atroce de l’enfant unique, ce qui se passe maintenant, c’est qu’au cours des vingt prochaines années, ils vont subir une telle inversion de la proportion du nombre d’actifs par rapport au nombre de retraités qu’en aucun cas ils ne peuvent maintenir cette croissance”.
La Chine ne pourra pas maintenir son rythme actuel de croissance économique en raison de la politique de l’enfant unique, a déclaré lundi le vice-président américain, Joe Biden. Selon sa version de ses entretiens avec des responsables chinois à Pékin en août, il a assuré à ses hôtes que les Etats-Unis étaient confrontés à des problèmes budgétaires bien moindres que ceux qui se profilent pour les autorités chinoises. “Nous avons un problème avec nos programmes de prestations sociales, nous allons être capables d’y faire face, mais grâce à Dieu, nous n’avons pas vos problèmes”, a dit le vice-président américain, rappelant les propos tenus lors de ce déplacement en Chine, peu après les âpres négociations sur le relèvement du plafond de la dette américaine et la dégradation de la note de la dette des Etats-Unis par Standard and Poor’s.
Sobre a China estamos falados, quanto aos Aeroportos, mão amiga mandou-nos ontem depois de ter lido a nossa peça sobre as cidades fantasma, sobre os aeroportos fantasmas um excerto do El País:
La noticia de que Huesca fue el aeropuerto español con menos pasajeros durante 2009 (6.228) no amilanó a los más recalcitrantes que señalaban que, a pesar de todo, había incrementado su volumen de actividad en un 56,4% respecto al año anterior. Puestos a defender lo indefendible, los gestores pusieron el foco en otro dato estadístico: Huesca ascendía a la posición número 21 entre los 48 aeropuertos de AENA por número de operaciones. Es decir, hubo más operaciones (21.441) que pasajeros. ¿Acaso los aviones volaban vacíos? No, el truco estaba servido: eran los chinos quienes volaban, 140 pilotos en prácticas que ocuparon unas instalaciones anexas durante un año, contratadas por la empresa Top Fly, encargada de su formación. Durante un año, los aprendices chinos despegaban y aterrizaban a diario y eso le dio vida al aeropuerto. Vida y más de un susto porque se perdían en el espacio aéreo con cierta frecuencia, hasta el punto de que algunos terminaban inexorablemente aterrizando en Zaragoza entre el pánico de los controladores.
http://www.elpais.com/articulo/reportajes/Aeropuertos/todos/elpepusocdmg/20110501elpdmgrep_10/Tes
E relembro aqui que os verdadeiros fantasmas são o oposto da peça do filme de ontem, são a expressão do Ocidente estar a ser vítima da sua terrível miopia e cinismo e a deixar-se levar na onda de um neoliberalismo puro e duro imposto pela globalização, mas agora bem mais duro, porque passa a ser imposto principalmente pela China. E com isso é a Democracia que se vai eliminando. E é disso que falaremos na quarta série sobre Globalização e Desindustrialização.
Júlio Marques Mota
