(Continuação)
Encore tout jeunes, les enfants commencent à comprendre les traditions et coutumes tribales et à s’y conformer ; cela est particulièrement vrai des restrictions ayant un caractère tabou, des dispositions impératives des lois tribales ou des usages relatifs à la propriété[1].
La liberté et l’indépendance des enfants s’étendent également au domaine sexuel. En premier lieu, les enfants entendent beaucoup parler de choses se rapportant à la vie sexuelle de leurs aînés et assistent même souvent à certaines de ses manifestations. A la maison même, où les parents n’ont pas la possibilité de s’isoler, l’enfant a de multiples occasions d’acquérir des informations pratiques concernant l’acte sexuel. Aucune précaution spéciale n’est prise pour empêcher les enfants d’assister en témoins oculaires aux rapports sexuels des parents. On se contente tout au plus de gronder l’enfant et de lui dire de se couvrir la tête avec une natte. J’ai souvent entendu faire l’éloge d’un petit garçon ou d’une petite fille dans ces termes : « C’est un bon enfant : il ne raconte jamais ce qui se passe entre les parents.» On permet à de jeunes enfants d’assister à des conversations au cours desquelles on parle ouvertement de choses sexuelles, et ils comprennent parfaitement le sujet de la conversation. Ils savent eux-mêmes jurer et employer un langage obscène avec une maîtrise passable. Étant donnée la précocité de leur développement mental, on entend souvent de tout petits enfants lancer des plaisanteries graveleuses que les aînés accueillent avec un gros rire.»[2].
A ideia da liberdade sexual não acaba com princípios éticos ou aberrações, definida pelos costumes Massim. Há uma lista de “pecados” já não dos mais novos, mas sim dos adultos. Ou foi omisso por Malinowski, ou os comportamentos mencionados para a nossa cultura não aparecem em parte nenhuma dos textos dedicados à vida sexual da Melanésia. No entanto, a lista dos tabus, que é dura, deve ser comprida, como na nossa própria cultura, só que os grupos Kiriwina vivem em espaços pequenos, cada casa é parte de uma família e todos os membros que a habitam, acabam por ser parentes que tomam conta uns dos outros. A vida sexual infantil acaba na adolescência, ao começar a época de poder reproduzir seres humanos e a idade do matrimónio se aproxima, isto é, pelos 12 ou 14 anos da nossa cronologia. A lista dos tabus começa, como refere o autor para os adultos (a partir da página 123 e seguintes do texto), com a ideia de Aberrações Sexuais, conceito que me faz pensar se estas problemáticas são mais do autor e da sua cultura, ou advêm dos seus livros de notas de trabalho de campo. Do conjunto de proibições, o autor salienta a mais importante no seu debate Freudiano: a do incesto. Depois de ter esclarecido no Volume 1 que o complexo de Édipo é um facto possível no ocidente, define, como vários analistas hoje, o Édipo como a proibição do incesto, passível entre pessoas de um mesmo clã[3] ou parentesco, semelhante à nossa definição consanguínea. O que interessa neste texto, é salientar não as semelhanças ou diferenças dos autores, mas entender um conceito que é muito ocidental: a liberdade humana, não é fazer o que se deseja e quando se quer, mas o convívio dentro de normas respeitadas pelas pessoas e que, a não observância dessas normas entre nós se denomina pecado. Ao qual passamos para finalizar este capítulo, por ser uma noção fundamental para entender o conceito de criança pecadora que não aparece em parte nenhuma dos textos malinowskianos.
(Continua)
[1] Nous parlons dam plus d’un passage de ce livre, et plus spécialement dans la chapitre 13, des processus à la faveur desquels on inculque à l’enfant le respect pour le tabou et les traditions de la tribu. Il faut se garder de personnifier la coutume ou de croire qu’elle possède une autorité absolue ou autonome: elle est tout simplement le produit d’un mécanisme spécifique, social et psychologique. (Voir mon ouvrage : Crime and Custom, 1926.)
[2] Texto citado na nota anterior, página 52 para a idade e 48 para a vida sexual infantil, descrita com minúcia pelo autor.
[3] Malinowski, obra em análise, Volume II, páginas 138 e seguintes. Um outro comentário encontra-se no texto de Raoul et Laura Levi Makarius, 1961: L’0rigine de l’exogamie, website http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/classiques/makarius_Laura_raoul/origine_exogamie/origine_exogamie.pdf
