Caros Argonautas
Procurem por aí, procurem “em todas as esquinas da cidade” que deve por aí andar um tipógrafo doido, a denegrir um ministro, Nuno Crato e a equipa, equipa esta que não roubou, não senhora, os nossos estudantes de um prémio de 500 euros, por uma decisão com efeitos retroactivos. É preciso poupar e num país onde é elevadíssima a taxa de abandono escolar, é preciso que a maioria seja ela igual, dentro e fora da escola, democraticamente ignorante. Esta é, parece, a nova ideologia em voga, e portanto a questão dos estímulos para a juventude é uma ofensa para quem precisa de reduzir custos.
Procurem igualmente pela internet, pelo Cyber espaço porque uma conjugação de caracteres impressos estão por aí a navegar e a denegrir este executivo, verdadeiro paladino da austeridade, procurem-no, procurem um cartaz, um decreto-lei talvez, “Em letras enormes do tamanho” do que forem capazes de inventar.
“Há pesadas sanções para os que auxiliarem” o nosso tipógrafo a fugir, o detentor da cartaz , o detentor das palavras da blasfémia conjugada.
Homem e cartaz, “é indispensável encontrá-los dominá-los (…) antes que seja tarde”, “Fechem as escolas Sobretudo protejam as crianças da contaminação” da calunia nesse cartaz contida.
E o cartaz é:
Ao contrário, prendam e condenem publicamente os autores destes dizeres pela Imprensa Nacional publicados. Condenem-nos politica e publicamente a viver com os rendimentos a que aos desempregados neste pais eles concedem e exactamente nas mesmas condições, democraticamente, portanto. Não se trata da invenção do amor, trata-se da reinvenção da revolta.
Júlio Marques Mota

