Diário de Bordo de 14 de Fevereiro de 2012

Hoje é dia de São Valentim. Dia dos Namorados – mais uma invenção americana para incentivar ao consumo. Mal vai o namoro ou a relação que precisa de um dia especial para afirmar o amor recíproco, como mal vai a civilização que necessita de uma gigantesca operação de marketing como é o Natal, para se manifestar amor pelo próximo. São comemorações que entroncam em festas pagãs, anteriores ao cristianismo e que foram sendo recuperadas pela gigantesca máquina de engolir moedas que esta sociedade tem no lugar do coração. Portanto, não é o carácter pagão destas celebrações que as torna abjectas – é a sua instrumentalização, o serem colocadas ao serviço de um consumo que a gravidade da situação económica desaconselha. 

 

Quando o primeiro-ministro acusa os portugueses de serem preguiçosos, está a esquecer-se de um pormenor importante – com uma das maiores taxas de desemprego da EU e com salários dos mais baixos, com o súbito empobrecimento a que as medidas de austeridade que vai fazendo cair sempre sobre os mesmos, é difícil compatibilizar essa pobreza crescente com o incentivo permanente ao consumo e com os bancos continuando a facilitar o crédito de uma forma criminosa. Acaba-se com o feriado do Carnaval, mas pretende-se que a indústria do turismo não seja afectada? Não é possível.

 

Talvez sejamos piegas. Mas as medidas terroristas que este executivo de irresponsáveis e de ignorantes está a tomar em breve talvez nos façam perder a pieguice; talvez, os jornais televisivos mostrem imagens de Lisboa e Porto semelhantes às que nos estão a chegar de Atenas. Esta gente está a brincar com o fogo – agora a repressão económica abrange os reembolsos do IRS (o que configura um crime de roubo); insulta os portugueses em geral, cria problemas com os militares, o que não é bom para a saúde dos governos). Se deixarmos de ser piegas e começarmos a partir tudo, talvez a troika os ajude…

 

Entretanto vamos celebrando o Dia de São Valentim. Um conselho aos namorados – há mais maneiras de mostrar amor, afecto, sem ser através da oferta de uma qualquer bugiganga. Puxem pela imaginação!

Leave a Reply