Descreve-o assim o Dicionário dos Educadores Portugueses: Virgílio Ferreira ( 1916-1996) “Ficcionista, ensaísta e professor do ensino secundário de Latim, Grego e Português, destaca-se no mundo cultural contemporâneo como um dos maiores vultos literários (…) Desconhecendo-se a existência de qualquer publicação de Virgílio Ferreira de carácter essencialmente pedagógico, o seu pensamento nesta área encontra-se disperso pela sua obra ensaísta, ficcional ou diarística. (…) Em “Um escritor apresenta-se” considera-se um “ condutor de jovens” que, ao fim de 26 anos está um pouco desencantado, tendo sido professor fruto das “conveniências “ e “sem vocação”, se por esta se entender “prazer”. Refere que o ensino deve “ter como característica fundamental, suponho eu, o ser vivo, isto é, o interessar ao aluno mas no sentido de esse mesmo aluno poder interferir, dialogar com o seu tempo, servido pela cultura que lhe é ministrada do ensino”.
Considerou as aulas um espaço de comunicação, de interacção, com alguma liberdade, apesar dos programas. Através da sua obra, personagens importantes são professores e, através das suas actuações, vislumbra-se um pensar pedagógico, de dimensão filosófica e existencial dos espaços pedagógicos e do que neles se desenrola.
Com “Vagão”(1946) e “Manhã Submersa” (1954) “a escola assume-se como instrumento de humilhação e produção social e simultaneamente de promoção pessoal social. (…) O professor é representado como detentor do
saber e como tal respeitado e investido de poder” onde a sua actuação é pautada “pelo assumir zeloso do seu papel de educador e de consciência social”e onde a “sua prática pedagógica oscila entre a repetição e mecanização de tarefas e aprendizagens, conduzindo à passividade e à adopção de metodologias e estratégias criativas de acordo com a realidade dos alunos”.
Em “Aparição” (1959) é possível ver-se “o despertar para a transformação das metodologias pedagógicas” sendo O professor “o retrato do pedagogo tal como a cultura portuguesa o entendeu e celebrou em Agostinho da Silva”.
Em “Signo sinal” (1979) pode assistir-se as transformações decorrentes do 25 de Abril, com alguns episódios anedóticos, com um professor a aplicar o método Paulo Freire.
Em “Até ao fim” (1987) surgem novas problemáticas, a importância da comunicação social, a nova relação jovens-adultos, com a “descoberta de que a infância e juventude existem e têm especificidades próprias” e com os exageros daí decorrentes.
Retirado dos textos de “O Dicionário de Educadores Portugueses”, ASA, 2003
“Manhã submersa”, realização de Lauro António


