Publicámos anteontem um artigo de José Pacheco Pereira sobre aquilo a que chama (e bem) “a nova luta e classes” – uma crítica muitíssimo bem feita ao executivo do seu partido; crítica que , com uma ou outra alteração de pormenor, muita gente de esquerda não enjeitaria assinar.
Aliás, como fizemos notar, vai muito mais ao fundo das questões essenciais do que, por exemplo, António José Seguro, que no Parlamento, sem jeito, sem garra, com um sorriso de falsa convicção, lá vai avançando argumentos que toda a gente já aduziu, tentando defender o indefensável – as inquestionáveis responsabilidades do seu partido na actual crise.
Pedro Passos Coelho, com um sorriso que pretende ser de irónica autoconfiança, desfia o seu discurso vazio de ideias, procurando com truques de ironia sem chama, provar o contrário… Enfim, dois péssimos actores, dando um espectáculo penoso, só aplaudido pelas respectivas claques. Em contrapartida, Pacheco Pereira vai ao fundo da questão – questiona a inteligência, a cultura e a honestidade dos protagonistas desta comédia que tão caro pagamos.
O que quererá dizer esta posição de Pacheco Pereira? A capacidade crítica e a bagagem cultural já as tem há muito tempo. Por que razão não as tem usado? Como é que um homem que sabe o que ele sabe, sai de uma esquerda extremista e se enfia num covil de herdeiros do salazarismo? E por que razão, tendo havido outros primeiros-ministros do seu partido tão ignorantes da História como o actual – Cavaco Silva deve ter o primeiro lugar nessa matéria – só agora faz ouvir a sua voz nesse sentido?
Outro dado digno de atenção é o de, no seu habitual comentário na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa ter condenado a forma como Passos Coelho conduziu a questão da tolerância ponto na terça-feira de Carnaval, concluindo que foi “uma derrota” e “uma batalha perdida”:
“Correu mal. É um dos casos em que se pode ter razão no conteúdo e perder no tempo e na forma. Pode ter muitas razões, mas foi mal apresentado, foi mal explicado e foi explicado fora de tempo. Alguém devia ter informado o primeiro-ministro que as escolas iam fazer férias e desde o começo do ano lectivo toda a gente sabia. Não é dramático, mas foi uma derrota, um combate perdido. É pena que se tenha metido numa batalha que à partida uma batalha sem hipótese de sucesso”,. E condenou também o primeiro-ministro por ter dito que é preciso ser exigente e não sermos piegas. “O primeiro-ministro deve elogiar e não dividir os portugueses em bons e maus”
Enfim, sendo uma crítica menos consistente do que a de Pacheco Pereira, não deixa de ser uma crítica desfavorável. O que se passa dentro do PSD?

