Parece não importar que os os vestígios pré históricos abundem, e que os romanos tenho escolhido este lugar para se estabelecerem, e nele construírem belíssimas villas, e que, depois da queda, visigodos tenham dançado no cimo do monte.
Poucos conhecem a azulejaria árabe e os nomes das localidades, nem as lembranças de judeus fugidos que aqui se implantaram.
Nem que os reis e os bispos de há 5 séculos atrás lhe dessem grandes honrarias.
Parece não importar que antes do cimento, era mais do que um planalto margoso.
Que era um planalto margoso, mas cercado de quintas e florestas, com ribeiras ladeadas por moinhos, terra de maçãs, de madeira e de resina.
E um dia chegou o progresso: primeiro uns, depois outros, colocaram Maceira no mapa. Os primeiros, de um lado, os de pouca sorte, os segundos do outro, os que prosperaram.
Com o progresso chegou emprego, para os de cá, e para os de fora. Chegou, portanto a inveja e a disputa.
Mas também chegaram as escolas, a cantina, os balneários, a zona desportiva, o teatro, que à distância de quase um século, fizeram a diferença, e atraíram os olhares. O bairro da utopia.
Os bons e os maus. As melhores intenções e as piores atitudes. O desenvolvimento. As expropriações. As oportunidades. As convulsões. O lucro.
E, um dia, a poluição descontrolada.
Em trinta anos tudo mudou. A fábrica, a empresa, causa e efeito, é fonte de desenvolvimento, e elemento activo da comunidade. Continua a garantir, como aos nossos bisavôs, emprego e regalias.
Os telhados já não são cinzentos e há verde nos jardins. As pedreiras são museus e aulas de geologia e biologia. A fábrica é história, todos os dias.
A vila é mais do que isso. Mas também é. Não é bonita. Mas é a minha.
E lá voltei. E aqui lhe presto homenagem.

