A ordem alfabética prega-nos estas partidas – este quadro de dez obras proibidas pela polícia política do Estado Novo, são quase todos colectâneas poéticas. Durante algum tempo os mastins da mesa censória fascista desprezaram a poesia, supondo-a inócua. Os cantores de protesto, recuperando ou criando poemas para as suas canções, deram à poesia “prestígio” junto de quem proibia – os poemas passaram também a ser censurados. Oito dos dez livros de hoje, são de poemas. Mas vamos centrar-nos num dos dois que o não é – Podem chamar-me Euridice, um romance do escritor Orlando da Costa que o dedicou a José Dias Coelho, assassinado pela PIDE. É uma história de amor, usando como suporte ficional o mito de Orfeu, e decorre no ambiente de clandestinidade e repressão da subversão universitária dos anos 60. Compreende-se perfeitamente por que foi apreendido este belo romance.

