Novas Viagens na Minha Terra. Série II. Capítulo 55 . Por Manuela Degerine

 

Um Café na Internet 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Golegã a Tomar (continuação)


          Digo “bom dia”, não respondem – duas vezes. Sinto que me olham com hostilidade. Terá ocorrido por aqui alguma selvajaria?


           Já bebi litro e meio de água por isso, mais adiante, peço a um homem que me encha as garrafas. Este mostra-se acolhedor, diz que cada dia vê caminhantes, admira-se por eu ser portuguesa e andar sozinha; o que, pelos vistos, lhe parece antagónico. (E talvez suspeito.) Lembro-me de Álvaro de Campos: “À força de diferente, isto é monótono.”


           Passo diante da bela igreja da Atalaia e, à saída da localidade, o Caminho vira à direita, entrando num pinhal. Poucos metros depois, deparo dois homens, um dentro, o outro fora de um carro. O que está do lado de fora exclama:


           – Vimo-la passar, cortámos por além, para lhe vir falar!


       Assusto-me um pouco. Mas o homem que se encontra no carro parece desinteressado e o que fala mostra-se simpático e respeitador. Quando avista um caminhante, vem sempre cumprimentá-lo, garante ele.


           – É então de Lisboa? Talvez um dia, quando lá for, a encontre!


           – Terei muito gosto.


          Digo eu. Pensando na minha surpresa se, algum dia, por “Lisboa com suas casas/De várias cores”, isto é, para mim, ao subir a Almirante Reis, um homem me interpelar:


           – Não se recorda? Falei consigo na Atalaia.


           (Não será monótono: apenas diferente.)

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