Entre 1832 e 1834, uma série de impasses sociais e políticos e de problemas dinásticos mal resolvidos, desembocaram numa Guerra Civil. A adopção do liberalismo em 1820 foi mal recebida por uma nobreza anquilosada e empobrecida. Uma nova ordenação jurídica punha fim a atavismos cuja origem se perdia na bruma da era medieval e dava lugar ao aparecimento de uma nova classe dominante. A velha nobreza, absolutista, apoiou-se em D. Miguel e na rainha mãe, D. Carlota Joaquina. Após em 1823 dar o primeiro sinal com a Vila – Francada, e de, em Abril de 1824, com a Abrilada, D. Miguel quis restaurar o poder real absoluto e foi exilado. Porém, quando D. João VI morreu em 1826, a situação era confusa, com o herdeiro do trono a assumir-se como imperador do Brasil e os absolutistas a empurrarem D. Miguel para a confrontação aberta. E de complicação em complicação, em 1832 a guerra foi declarada e durante dois anos os portugueses mataram-se entre si. Foi a última guerra civil que ocorreu em Portugal.
A notícia parece ter chegado na passada segunda-feira ao estado vizinho com cento e oitenta anos de atraso. Um estranho boato alertando para a Guerra Civil em Portugal circulou nas redes sociais espanholas, no Twitter. principalmente. O ‘golpe de Estado’ português incluiu uma descrição dos supostos acontecimentos ao minuto, com links para o ‘El Pais’ e para a ‘Associated Press’. O boato foi, ao longo do dia, crescendo de dimensão e até apareceu um vídeo no You Tube – Pray for Portugal ou En breves momentos la Televisión de Galicia facilitará un número de cuenta para ayudar a los afectados de Portugal. Segundo parece, a brincadeira partiu de internautas espanhóis e tem a importância que tem – nenhuma. Um grupo de idiotas resolveu brincar com coisas sérias.
O problema é que há mesmo o perigo de se desencadear uma «guerra civil» não virtual. Uma guerra que o Governo declarou a uma parte do povo português – aos que trabalham ou trabalharam uma vida. O corte dos subsídios de Natal e de Férias que era para ser uma medida pontual, já é admitida pelo Governo como medida permanente. Em suma, internautas idiotas inventaram uma guerra civil em Portugal, país onde os idiotas não se contentam em se divertir nas redes sociais.
Aqui, os idiotas chegam ao poder e parecem querer desencadear, fora do Twitter e do Facebook, uma verdadeira guerra civil.

