Novas do Centro Mário Dionísio n.º 31 – Abr. 2012


 

 

 

UMA NOVA EXPOSIÇÃO:
DEUS NO TELHADO E OS NOVOS ANJOS
Fotografias de Giuseppe Morandi

Inauguração: quarta-feira, 25 de Abril, 19h

A Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, em colaboração com a Lega di Cultura di Piadena, apresenta a exposição de fotografia «Deus no telhado e os novos anjos» de Giuseppe Morandi. A inauguração conta com a presença do autor e o Coro da Achada canta algumas canções do seu repertório.

A exposição é constituída por meia centena de retratos – feitos ao longo de meio século – de homens, mulheres, crianças, gente vulgar – italianos, africanos, indianos -, que, uma vez fotografada, deixa de ser vulgar e nos faz pensar. São cenas de quotidiano e cenas de festa na Baixa Padana. O título nasceu dum poema de Lise Rouillard, escrito em 1986, que ao ver um pedreiro a trabalhar em cima dum telhado, ela exclama que é um deus.

De origem camponesa, nascido em 1937 numa aldeia da Planície do Pó, Giuseppe Morandi, sem nunca ter deixado de ser dactilógrafo na Câmara de Piadena, começou, em meados dos anos 50, a filmar e a fotografar aquilo que conhecia bem: a vida dura do campo e os camponeses que aí viviam. Tratava-se de lhes restituir uma dignidade perdida. Vieram mais tarde as fotografias de imigrantes que, em tempos de decadência da agricultura, os substituíram. E, entretanto, escreveu novelas no dialecto da sua terra.

A exposição poderá ser visitada até ao dia 28 de Maio.

 

 

 

OLHARES SOBRE OS NOVOS ANJOS

Quinta-feira, 26 de Abril, 18h00

Após a inauguração da exposição «Deus no telhado e os novos anjos» deGiuseppe Morandi, acontece uma conversa que junta muita gente de muitos sítios e áreas diferentes. Para além da presença do autor, juntam-se Gianfranco Azzali, da Lega di Cultura di Piadena; Peter Kammerer, sociologo que trabalha de perto com Morandi; Jorge Silva Melo; e os fotógrafos André BejaCatarina BotelhoLuís Rocha e outros.

«Tal como na famosa canção dos partisans, alguém acorda de manhã e vê. Neste caso, não vê o invasor, mas um deus no telhado. Ele desce ao pátio e dá a boa nova. As fotografias de 1985 mostram Emilio Bosio, pedreiro, incarnação de uma beleza antiga, semelhante às obras-primas da arte italiana. A seu lado, Antonio, deus negro vindo do Níger. Morandi viu-o passar de bicicleta, com aquele estranho chapéu na cabeça. Aproveitou esse instante, pediu-lhe autorização para o fotografar e travou conhecimento com ele. Não se rouba a fotografia a alguém. Até os indianos do campo desportivo conhecem Morandi e aceitam a sua curiosidade como um acto de solidariedade.»
Peter Kammerer (2011)

 

 

 

 

 

QUEM É MARIA LETÍCIA

Sábado, 21 de Abril, 16h

Em Abril organizamos uma sessão sobre Maria Letícia Clemente da Silva (1915 – 2010), companheira de sempre de Mário Dionísio.

Maria Letícia Clemente da Silva foi professora de Português e Latim no ensino secundário, tradutora, autora de livros escolares, trabalhou na Comissão para a Reforma do Ensino, logo a seguir ao 25 de Abril. Em 1947 foi expulsa, por razões políticas, do ensino – afastamento que durou oito anos. Pertenceu a organizações de mulheres, como Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas (encerrado pelo Estado Novo em 1947) e à Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Depois da morte de Mário Dionísio, iniciou, com a arquivista Natércia Coimbra, o inventário do seu espólio, actualmente acessível na Casa da Achada.

Participam na sessão quatro fundadoras da Casa da Achada que conheceram e trabalharam com Maria Letícia: Diana Dionísio (neta de Maria Letícia), Natércia Coimbra (arquivista que organizou o espólio de Mário Dionísio e Maria Letícia),Maria Helena Carvalho e Maria Emília Dinis (professoras, amigas de Maria Letícia) e todos os que a conheceram, principalmente ex-alunos e ex-alunas, que quiserem dar o seu contributo.

A conversa é acompanhada por uma exposição de livros e documentos.

à Maria Letícia 

chapelinho de quadrados
de vagar pela rua frenética
com uma fímbria de sol no laço
e uma saudade solta

desce um ar de natal sobre os passeios
sobre as pessoas sobre os carros
e um olhar sem palavras que flutua
põe-se a dizer de manso
antigamente

sinto surpreso que há momentos
em que as próprias rugas sabem bem
a ao nosso lado
numa alegria de cabelos soltos
o passado e o futuro correm de mãos dadas

Mário Dionísio, O riso dissonante, 1950

 

 

 

 

 

DEPOIS DE RIR UMA VEZ POR SEMANA, UM NOVO CICLO DE CINEMA DE ABRIL A JUNHO:
POLÍTICA UMA VEZ POR SEMANA

Segundas-feiras, 21h30

Agora que nós-números (e não pessoas) temos pouco a ver com a política – diz-nos quem está no poder. Porque ela pertence aos governos, aos partidos e a mais ninguém.
Ora, as nossas vidas são determinadas por ela. No nosso quotidiano há o que os outros fazem «por» nós e o que nós fazemos ou não fazemos, dizendo sim ou não. Política não é só a tomada do poder e o que se foi fazendo, com sucesso ou não, por meios «legais» para o alcançar. Além do Poder há poderes. Levantamentos populares, lutas pequenas (ou grandes), revoltas e revoluções são Política. De que a História e as nossas vidas se fazem. É impossível separar a Política da História.
A política, e também a do dia-a-dia, com muitas histórias dentro, encontramo-la nas artes – e o cinema é uma delas. Temas e sobretudo modos diferentes de fazer as artes. Ao contrário do que muitas vezes se diz, a política não é distinta da arte. É parte dela.
Abril é um mês que dá vontade de recomeçar a falar. Vamos mostrar filmes da história do cinema, outros esquecidos, outros recentes, que poucos conhecem. E desta vez, apresentamos mais documentários do que é costume. Haverá sessões com dois filmes: sobre épocas com a política à vista, que marcaram quem vive hoje, mesmo que não estivesse nascido então – o 25 de Abril, o Maio de 68.
Com aquela ideia de que se vive melhor conhecendo o que está escondido.

Segunda-feira, 9 de Abril, 21h30
A tomada do poder por Luís XIV

de Roberto Rossellini (1966, 90 min.)

Segunda-feira, 16 de Abril, 21h30
Reds

de Warren Beatty (1981, 194 min.)

Segunda-feira, 23 de Abril, 21h30
A coisa

de Nanni Moretti (1990, 59 min.)

Segunda-feira, 30 de Abril, 21h30
Torre bela

de Thomas Harlen (1977, 88 min.)
Nós operárias da Sogantal
de Nadejda Tilhou (2008, 58 min.)

E antes, ainda há a projecção do último filme do ciclo «Rir uma vez por semana»:

Segunda-feira, 2 de Abril, 21h30
Os grandes aldrabões

de Leo McCarey (1933, 68 min.)
quem apresenta é João Rodrigues

 

 

 

 

 

ITINERÁRIOS:
UMA CONVERSA COM JERÓNIMO FRANCO

Sábado, 28 de Abril, 16h

Nesta 13ª sessão de «Itinerários», em que uma pessoa conta a sua história pouco vulgar, vamos conversar com Jerónimo Franco.

Como foi vir duma aldeia para Lisboa aos 11 anos, andar na escola e trabalhar. Como foi fazer a tropa em Moçambique. Como foi trabalhar na TAP e ser presidente do Sindicato dos Metalúrgicos antes do 25 de Abril. Como foi discursar a uma multidão no 1º de Maio de 1974. Como foi fundar o Movimento de Esquerda Socialista e dele sair. Como é ir aprendendo com as pessoas e também nos livros. Como é estar reformado e dividir o tempo entre Lisboa e uma aldeia.

 

 

 

CICLO A PALETA E O MUNDO III

Segundas-feiras, 18h30

Na 3ª parte do ciclo «A Paleta e o Mundo» lemos obras que foram citadas em A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio, ou obras de autores seus contemporâneos.

Em Abril continua a leitura de Introdução à música moderna de Fernando Lopes Graça, com projecção de imagens e audição de peças musicais, por Pedro Rodrigues.

«O esforço de Fernando Lopes Graça e de todos os seus colaboradores tem sido de uma importância primordial e decisiva nesta luta pela seriedade da actividade musical. O compositor que se desdobra em regente de orquestra e em organizador de coros, em executante e em ensaiador, em conferencista e em autor de livros de divulgação, e o grupo de colaboradores que ele próprio tem sabido fazer nascer à sua volta, são pedras fundamentais dessa mesma luta que, abrindo a sensibilidade e a inteligência do público para a arte dos sons, está evitando, pelos seus próprios meios e no escalão que lhe compete, a possibilidade monstruosa de uma vida sem música.»
Mário Dionísio, «Contra uma vida sem música», Entre palavras e cores – alguns dispersos (1937-1990)

 

 

 

LIVROS DAS NOSSAS VIDAS:
A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES

Quinta-feira, 12 de Abril, 18h

23.ª sessão de uma série com periodicidade mensal, a partir de livros e autores referidos por Mário Dionísio num depoimento sobre «Os livros da minha vida».

Cristina Almeida Ribeiro fala de A casa grande de Romarigães de Aquilino Ribeiro.

 

 

 

 

OFICINAS
QUEM TEM DUAS MÃOS TEM TUDO

Domingos, 1, 15 e 29 de Abril, das 15h30 às 17h30

No mês de Abril as oficinas serão diferentes e de fabricos vários.

Domingo, 1 de Abril, 15h30
Fabricar objectos com missangas
com Irene van Es

Domingo, 15 de Abril, 15h30
Fazer ilustrações
com Pierre Pratt

Domingo, 29 de Abril, 15h30
Construir e tocar berimbaus
com João Rodrigues

Para todos a partir dos 6 anos. Número máximo de participantes: 10.

 

 

 

 


SABIA QUE?…

 

 

… nas horas de abertura, é possível:

  • Requisitar e consultar livros na Biblioteca da Achada, que tem secções de Literatura, Arte, Cinema, Teatro, História, Ciência, Literatura Infanto-Juvenil, etc…
    Haverá encontros de leitores de todas as idades, nos dias 13 e 27 de Abrilàs 15h, com a presença de um escritor, para cada um falar sobre os livros levados da Biblioteca da Achada para casa, para se ler um pouco em voz alta e se levarem mais livros para os próximos dias.

  • Visitar, até ao dia 20 de Abril, a exposição de desenho de Mário Dionísio: «Sonhar com as mãos». Os desenhos, na sua maioria dos anos 40 e 50, são de várias dimensões, suportes e técnicas: retratos e auto-retratos, paisagens, cenas de trabalho, figuras, maquetes de murais, esboços de quadros, etc.
    Os desenhos de Mário Dionísio foram restaurados para esta exposição, com curadoria de Paula Ribeiro Lobo, com apoio da Fundação Montepio, e também do Departamento de Conservação e Restauro da FCT/UNL e do AHU.
    Última visita guiada à exposição: sábado, 14 de Abril, 16h

… projectamos um documentário sobre a Mouraria:

  • No domingo, 22 de Abril, às 17h, projectamos o documentárioZumbidos da Mouraria, do projecto identibuzz, que realizou a apresentação deste documentário, e de outro, Zumbidos da Mouraria e San Francisco, na Casa da Achada. O filme conta com uma entrevista a Eduarda Dionísio e com banda sonora do Coro da Achada. A projecção será seguida de uma conversa sobre o documentário e o bairro.

… em Alhos Vedros:

  • A Casa da Achada, em colaboração com o CACAV – Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros, organiza um ciclo de conferências sobre Mário Dionísio na Biblioteca Municipal José Afonso:
    13 de Abril:
    «Mário Dionísio – O Professor» com Rui Canário
    19 de Abril:
    «Mário Dionísio – O Escritor» com Maria Alzira Seixo
    3 de Maio:
    «Mário Dionísio – O Pintor» com Rui-Mário Gonçalves
    10 de Maio:
    «Mário Dionísio – Social e Político» com Eduarda Dionísio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As novidades do Centro Mário Dionísio

 

 


 

 

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