por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta-feira 13 de Abril, tem efectivamente lugar a Sessão de Abertura de 8 ½ Festa do Cinema Italiano, onde Paolo Sorrentino, um dos nomes sonantes do panorama cinematográfico italiano e europeu, vai estar presente às 21h30, no Cinema Monumental, para apresentar This Must Be The Place (Este É o Lugar, 2011), o filme protagonizado por Sean Penn e Frances Dormand que fez parte da selecção oficial do Festival de Cinema de Cannes em 2011. Nesta sua primeira incursão em Hollywood, o realizador leva o “camaleónico” Sean Penn a interpretar uma rock-star reformada, híbrido de Robert Smith e Eduardo Mãos-de-Tesoura, numa viagem surreal à descoberta das suas próprias raizes através das ruínas do “sonho americano”.
Veja-se, como incitamento à visão da película, a excelente caracterização operada sobre Sean Penn neste pequeno filme-anúncio :
Na mesma noite de Sexta, já na Secção Competitiva, projecta-se no Cinema Nimas, às 22h, o filme Ruggine (Dust, 2011) de Daniele Gaglianone, baseado no best-seller homónimo de Stefano Massaron, onde um bando de crianças usa, como local de aventuras, um grande armazém de destroços ferrugentos, uma espécie de terra de ninguém entre a cidade e o campo. Destaca-se aí Filippo Timi numa interpretação notável de um espantoso vilão.
Também nessa Sexta 13 de Abril tem início PANORAMA 2012, a 6ª edição da Mostra do Documentário Português que decorrerá até 21 de Abril entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa sob o lema “Como se vê o documentário português ?”.
Desde o primeiro momento, em 2006, a Mostra pretende ser um canal privilegiado para aceder aos documentários feitos em Portugal ou por portugueses, contribuindo para “um encontro entre quem faz e quem vê”. Ao mesmo tempo, PANORAMA pretende levar ao encontro com os cinemas e as obras daqueles que fundaram o cinema português. A rubrica «Percursos no documentário português» é exactamente uma visita a esta história e, este ano, em “A Imagem Muda – Pioneiros, Caçadores e Vanguardistas” abordar-se-á o documentário feito nos primeiros anos do cinema em Portugal até à chegada do cinema sonoro,
Finalmente, PANORAMA pretende trazer à superfície as problemáticas que condicionam a criação documental portuguesa, através de um tema central que, todos os anos, guia a organização do programa e provoca um debate alargado. Ao longo das suas edições, tem perguntado: “para onde olha o documentário português?”, “com que instrumentos cinematográficos se constrói?”, “como se produz?”, «como se ensina?” e, com atrevimento, volta a fazer as perguntas que já não são perguntas que se façam. “Só desarrumando ideias fixas, se poderá avançar” (afirmam convictos).
O pormenor de toda a programação pode ser encontrado em :
http://www.panorama.org.pt/2012/contents/globalconfig/1332761492846.pdf
Assim, nessa Sexta-feira de abertura de PANORAMA 2012 serão exibidos na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, às 21h, na secção “Percursos no Documentário Português – A Imagem Muda” os filmes Nazaré, Praia de Pescadores de Leitão de Barros (1929, 15′), Alfama, A Velha Lisboa de João de Almeida e Sá (1930, 25′) e Douro, Faina Fluvial de Manoel de Oliveira (1931, 19′).
No São Luiz Teatro Municipal, às 23h30 de Sexta 13 de Abril, é apresentado no Jardim de Inverno o espectáculo “Estilhaços e Cesariny” , um projecto de spoken word em que Adolfo Luxúria Capital voz, com António Rafael (piano e programações), Henrique Fernandes (contrabaixo) e Jorge Coelho (guitarra) pretende homenagear a poesia e os poetas e em particular Mário Cesariny (1923-2006), a partir de Estilhaços (livro e cd homónimos de Adolfo Luxúria Canibal).
Ainda a 13 de Abril, estreia na Sociedade Guilherme Cossul (Av. D.Carlos I, nº 61), às 21h30, o espectáculo “Marias ao Poder”que, a partir da “Lisístrata” e das “Mulheres na Assembleia”, de Aristófanes, retrata a Mulher na sociedade a qual, transcendendo o seu comum papel de mãe/esposa/dona de casa, se eleva nos estatutos político, ético e social, reclamando a igualdade como cidadã e, numa adaptação bem humorada e actual … lidera um grupo de mulheres de diferentes sectores, propondo uma greve de sexo até que os homens optem pela paz.
Com encenação e adaptação de Rui Luís Brás, esta produção da Pequeno Palco de Lisboa tem como actores Andreia Esteves, Ana Luísa Luz, Lia Colorado, Teresa Franco, Cristina Lopes, Flávia Filipe, Joaquim Frazão, Diogo Machado, João Ferreira, Nuno Miranda, Verónio Gomes, Emanuel Almeirante, Miguel Martins e João Paulo Castanheira.
Permanece até 29 de Abril.
Neste 13 de Abril, às 23h, a galeria ZDB é palco para Nate Young (dos Wolf Eyes), esse (diz o programa) “filho do Michigan que, não sendo o mais barulhento dos Wolf Eyes, é, sem dúvidas, o mais “ameaçador” e traz “o maravilhoso fulgor do underground americano: desabrido, juvenil, violento. Sempre pronto a fazer chinfrim e a pontapear…”.
Deixamo-vos com parte do ábum editado em Outubro do ano passado pela NNA Tapes (com a colaboração dos restantes Wolf Eyes, John Olson e Aaron Dilloway) “Stay Asleep – Regression Vol. 2” :
Entretanto no bar Ondajazz, às 22h30 desse 13 de Abril, actua mais uma vez Vania Fernandes voz, com Júlio Resende piano, João Custodio contrabaixo e Alexandre Frazão bateria.
Por último, como sugestão para esta Sexta 13 de Abril há uma visita guiada (gratuita), às 13h, à exposição de Rosângela Rennó (que encerra a 6 de Abril) intitulada Frutos Estranhos, patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian.
No Sábado 14 de Abril vai ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, a jovem cantora e compositora Luisa Sobral que tem sido apreciada pela crítica e aclamada pelo público pelo êxito do seu disco The Cherry on My Cake.
Também nesse dia 14 de Abril, às 21h30, regressa ao palco do Coliseu dos Recreios a conhecida fadista Mariza, recente “patrocinadora” da candidatura do fado a “património imaterial da humanidade”, que ali vai celebrar os 10 anos da sua actividade como intérprete da chamada “canção nacional”.
Entretanto no mesmo Sábado 14 de Abril, a sessão mensal do Concerto Moderno (uma orquestra de cordas formada por jovens instrumentistas da área de Lisboa) no São Luiz Teatro Municipal, às 18h30 no Jardim de Inverno, é sobre “Clássicos Vienenses” onde, com a participação do solista convidado Paulo Gaio Lima violoncelo, serão tocadas obras de Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn.
No Teatro Maria Matos, a noite de 14 de Abril a partir das 19h será a Noite do Manifesto onde diversos artistas (de Ana Borralho a Vítor Rua, passando por Dinis Machado, Lula Pena, Monica Calle e muitos outros) são convidados a escolher um “manifesto histórico” (político, artístico, educacional, religioso, etc.) e a apresentá-lo ao público à volta de uma grande mesa … onde artistas e espectadores acompanhados pelas degustações criadas pelo Chef Luís Baena do Restaurante Manifesto cumprem as palavras de Mia Couto “A culinária, como a língua, deve ser dinâmica”.
O Teatro Armando Cortez (em Carnide), às 21h30 de 14 de Abril, recebe a produção da companhia de teatro de Comédia de Improviso (direcção artística: João de Pinto Dias) “O Cão Comeu o Guião” onde, numa abordagem diferente do teatro usual, as cenas são criadas, com base em diferentes jogos, a partir de sugestões do público. Interpretam este desafio Ana Freitas, Carlos Paiva, João Paulo Sousa, João Pinto Dias, Nelson Morganho e Sara Nunes.
Permanece em palco até 5 de Maio.
No bar Ondajazz, às 22h30 desse 14 de Abril, actuam Victor Zamora piano, Leo Espinoza contrabaixo e Sebastien Sheriff percussões que têm como convidados especiais Gonçalo Sousa harmonica e Mariana Norton voz .
Integrado no âmbito das comemorações do Dia do Estudante e com o apoio da Reitoria da UL, tem lugar no Sábado 14 de Abril, às 22h, na Aula Magna, o espectáculo “Os Corvos visitam as Tunas de Farmácia” onde haverá a actuação conjunta da
banda portuguesa “Os Corvos” com a das tunas da Faculdade de Farmácia – A Feminina e a TAFUL e (diz-se) se dará destaque à cultura e à musica tradicional portuguesa.
Por último uma sugestão para encerrar este Sábado 14 de Abril. Que tal passar de Lisboa a Odivelas e aí no Centro Cultural da Malaposta assistir, às 21h30, à oportunidade coreográfica de ver “ 5 Coreógrafos e 1 Corpo “ dirigido por Gisèle Tápias ? (repete no dia 15 às 16h)
Serão ali apresentados : Light Piece/Copy That a última coreografia leve de Pol Coussement (intérprete: Flavia Tápias), Solo de Rami Levi , inspirado nos movimentos de animais (intérprete: Flavia Tápias) , Living Room de Stéphanie Thiersch, inspirado em imagens de moradores de condomínios de baixa renda, vivendo em residências pobres (intérprete: Flavia Tápias) , On ne se Connait pas encore Mal de Thomas Lebrun, inspirado na figura de Carmen Miranda (intérprete: Flavia Tápias) e Je m’apelle Flávia Tápias de Nicole Seiller.
É desta última peça o vídeo aqui apresentado :
No Domingo 15 de Abril, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, há às 16h, com o apoio da Juventude Musical Portuguesa, um recital do cravista brasileiro Mário Marques Trilha que irá interpretar de Jean-Philippe Rameau Premier livre de pièces de clavecin e de François Couperin, apelidado «le Grand» Huit préludes et une allemande en annexe de son traité “L’Art de toucher le clavecin” e Sixième ordre du Second livre de pièces de clavecin.
Pode antever-se o seu som neste registo de Mário Trilha na peça de Couperin :
No mesmo espaço e também de entrada livre, exibir-se-á às 18h desse Domingo, com o apoio da embaixada da Estónia, o conjunto coral estoniano Vocal Group 7, intérprete reconhecido de arranjos de canções folclóricas da Estónia e composto pelos sopranos Lembi Tasane e Helen Põldmäe, pelos contraltos Anne Muldme e Liivi Tamm, pelos tenores Ain Alabert, Erki Meister e Kalle Klein, e pelos baixos Tambet Tamm e Risto Muldme.
Também no Domingo 15 de Abril, há às 16h na Igreja Nossa Senhora da Conceição (Olivais) com entrada livre, um Concerto de Páscoa pelo Coro Regina Coeli de Lisboa onde serão interpretadas obras de Anton de Beer (Pater Noster), Morten Lauridsen (O Nata Lux), Francis Poulenc (Salve Regina), Mendelssohn Bartholdi (Te Deum in D), Antonio Vivaldi (Gloria in D – RV 589).
Por último uma sugestão arriscada (de quem não a experimentou) para qualquer dia de Março a Outubro, a de tentar “uma experiência sensorial única” – assim é divulgada aos turistas − , um show multimedia em que, todas as noites, são projectadas sobre as muralhas do Castelo de São Jorge imagens relativas à história de Lisboa e aos costumes das suas gentes, como se pressente no vídeo abaixo :
Também nesse recinto de São Jorge ocorrem diariamente diversas actividades sob o lema “Acontece no Castelo” (ver em: http://castelodesaojorge.pt/index.php?t=events ).
A título de exemplo, na manhã deste Domingo, às 11h, a “Associação Danças com História” apresenta Danças para Três Princesas em torno dos casamentos das Infantas D. Isabel, filha de D. João I, D. Beatriz, filha de D. Manuel I e D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV, que foram eventos marcantes na história da dança, nomeadamente, entre o século XV e o século XVII. Através do esplendor do traje e da arte da dança, o grupo Danças com História ilustra esses tempos de elegância ordenada nos quais a harmonia da dança se aliava à representação do poder.
E com estes passos de dança vos deixo, caros leitores, até à próxima semana !





