POEMAS SOBRE O ALENTEJO
Alexandre O’Neill
À MEMÓRIA DE CATARINA EUFÉMIA
Podes mudar de nome, carrajola
pôr umas asas brancas, arvorar
um ar contrito,
dizer que não, que não foi contigo,
disfarçar-te de andorinha, de sobreiro ou de velhinha,
podes mudar de nome, carrajola,
de aldeia, de vila ou de cidade
— és como um percevejo num lençol!
Quando tivermos Portugal nos braços
e pudermos amá-lo sem sofrer,
quando o Alentejo se puser a rir,
Catarina Eufémia, minha irmã,
então o teu filho há-de nascer!
Desenho de Manuel Ribeiro de Pavia
Amanhã – Eugénio de Andrade

