DIÁRIO DE BORDO, 23 de Abril de 2012

 

No Expresso de sábado passado, dia 21 de Abril, vem publicada, sob o título Expectativa Defraudada,  uma carta de um senhor de 63 anos a lamentar uma das últimas medidas do governo Passos/Portas/Cristas/Gaspar/Álvaro (com mais uns que por ali andam), a do congelamento das reformas antecipadas durante o chamado programa da troika. Lamenta com muita razão a situação em que foi colocado, de modo traiçoeiro,  pois tendo começado a trabalhar muito novo, já com 48 anos de descontos para a Segurança Social, e a receber uma bonificação por continuar a trabalhar para além da idade limite (reproduz-se as informações publicados), não tendo pedido ainda a reforma a que anteriormente já tinha direito, agora só o pode fazer aos 65 anos. Recorda acertadamente que a pensão de reforma não é nenhuma benesse ou esmola, é a contrapartida do seu esforço e dos descontos que fez durante tanto tempo.


Esta medida, que foi tomada invocando o equilíbrio financeiro da segurança social, prevê situações de excepção para os desempregados. É óbvio que com esta excepção se espera poupar os subsídios de desemprego daqueles beneficiários desta prestação que passarem à reforma. E que, como se prevê que o desemprego aumente bastante, apesar de já ser tão grande, que vai  continuar a haver reformas antecipadas. E também que dentro em breve, vão sair mais medidas restritivas do subsídio de desemprego.


Bem andou o senhor em escrever a carta e o Expresso em publicá-la. Claro que este trabalhador (Diário de Bordo usa intencionalmente o termo, porque considera que são os trabalhadores que mantêm a nossa pátria, e a sociedade em geral) sente sobre diariamente grandes coacções. Contudo, temos de lhe dizer que é necessário quando fala em má fé do Estado, e na machadada final na já pouca confiança que ainda tinha nos políticos e no Estado, que não chega. É preciso ir mais longe.


O Estado é uma entidade concreta, dirigida por pessoas. E ainda não descobrimos a maneira de passar sem ele. Já alguém disse que antes de acabar com ele, vamos ter de o melhorar bastante, até para o ter mais ao nosso alcance. ´Mas responsabilizar uma estrutura é algo de mais complicado. Em primeiro lugar é preciso responsabilizar as pessoas que dirigem as estruturas, começando pelo topo. Não se pode ter à frente do estado pessoas que fazem profissão de fé desvalorizar o estado, e preconizam fantasias para a sua reforma. Como passar as reformas mais elevadas para o sector privado. Diz-se que este, assim, passaria a pagar as reformas mais caras. Omite-se que, assim, os descontos mais elevados deixariam de ser recebidos pelo Estado, cuja função redistribuidora (é a função que mais e melhor justifica a sua existência) ficará assim, mais uma vez, afectada. 

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