MONUMENTO AO SOLDADO CONHECIDO

 

 

 

c. 15h10 – Salgueiro Maia através do megafone, exigiu a rendição do Carmo em 10 minutos. Momentos antes recebera do Posto de Comando do MFA uma mensagem escrita pelo major Otelo Saraiva de Carvalho na qual ordenava que fizesse ultimato para a rendição.

 

15h15 – Foram libertados do Presídio Militar da Trafaria os onze oficiais e sargentos que ali estavam detidos na sequência do falhado golpe das Caldas em 16 de Março.

 

15h30 – Após 15 minutos de espera sem resposta, Salgueiro Maia ordenou ao tenente Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite sobre as janelas mais altas do Quartel, repetindo o apelo de rendição logo a seguir.

 

15h45 Do Quartel do Carmo saiu o major Hugo Velasco, membro do MFA, para falar com o capitão Salgueiro Maia.

 

 

 

 

Na evolução no terreno das operações planeadas, há uma figura que se destaca – a do capitão Salgueiro Maia. A partir da chegada da coluna de Salgueiro Maia ao centro físico do poder político, a acção deste capitão confunde-se com a história do próprio 25 de Abril. É óbvio que ao mesmo tempo, em Lisboa e no País, ocorrem factos, o MFA cumpre objectivos, a Revolução assume o controlo. Porém ali, entre o nascer do dia e o meio da tarde, verificam-se os acontecimentos centrais do 25 de Abril. Se Otelo é o estratega, o cérebro da operação, Salgueiro Maia é o seu braço mais importante. Diz Otelo («Alvorada em Abril»): Salgueiro Maia iria ser o comandante das forças do Movimento mais sujeito a situações de perigo e de tensão ao longo do dia 25. O número de homens que tem sob o seu comando e o potencial bélico de que dispõe permitem-lhe, todavia, encarar com certo optimismo as situações de responsabilidade que se lhe vão deparando e sendo resolvidas e que farão concentrar sobre ele e as forças da EPC as preocupações do posto de comando e as atenções e o carinho das massas populares que, a partir do Terreiro do Paço, não mais deixarão de o acompanhar e aos seus homens, guindando desde logo o jovem capitão às culminâncias de primeira estrela do MFA vitorioso».

 

O nosso amigo  César Príncipe ergue-lhe um monumento: o MONUMENTO AO SOLDADO CONHECIDO

 

 

 

Eras capitão Tinhas 30 anos Conhecias a guerra Defendias a paz Conhecias a opressão Defendias a revolta Salgueiro Maia Partiste de Santarém Com as armas da desobediência Os companheiros da audácia levantaram as barreiras que as capitais colocam aos que se aproximam dos soberanos Chegaste De porta em porta Defronte do Atlântico Dispuseste o futuro Defronte da Tirania Aí levantaste as tuas muralhas Aí venceste os comAndantes sem subordinados Daí partiste para cercar o fantasma espavorido E (então) os tanques rearmaram-se de brAços e (então) o Povo de Lisboa floriu nas varandas e (então) as multidões foram o teu prémio Todos viram Tu transportavas caminhos secuLares Entre fragas e vagas Vinhas e capins Tu avançavas às ordens de inúmeros vivos e mortos e prisioneiros e exilados e emigrados que acorriam dos seus berços e afazeres e túmulos Muitos conheceDores de desterros sob outros nomes Todos viram Até os carrAscos e as suas prostitutas fizeram perguntas ansiosas O território despertou para os grandes desejos Para os dificílimos encontros e recontros da liberdade e da igualdade Todos viram Era já meio-dia depois da obstinada noite e tu já havias conquistado o Terreiro do Medo Era já fim da tarde depois da obstinada noite e tu já havias triunfado no Largo da Rendição Era um dia único entre a Europa e a África Entre a Europa e a Ásia Um Império dava à luz (a teus pés) os últimos filhos Era um dia doloroso e ditoso Coube-te empunhar o megafone dos ultimatos e dos anúncios que obrigam os caLendários a reescreVer as datas e que convidam as multidões

 

A entrar em sua Casa

Sem pedir licença

 

Bastando

Dizer

 

Portugal

Voltou a ser

A Minha Pátria

 

 

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