Globalização e Desindustrialização – 4ª Série

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Capitulo III.  Alguns retratos mais sobre a globalização, sobre a desindustrialização

 

7. Berlim corta nas subvenções ao fotovoltaico

 

 

 

 

“Os ministérios alemães da economia e do ambiente anunciaram, quinta-feira, 23 de Fevereiro, uma muito forte redução do preço de compra garantido aos produtores de electricidade fotovoltaica, suscitando vivos protestos .””Esta adaptação  teve sobretudo como objectivo  estabilizar o sobre-custo para os consumidores de electricidade e de manter a grande adesão da população à energia solar,” comentou o Ministro do Meio ambiente, Norbert Röttgen.

 

A energia fotovoltaica é financiada na Alemanha pelos consumidores, que pagam uma sobretaxa nas suas facturas  e  que representa a diferença entre o preço garantido aos proprietários de painéis solares e o preço do mercado, muito inferior. Este sistema, juntamente com a forte descida dos preços dos painéis solares, agora frequentemente importados da Ásia, levou a uma explosão de instalação de painéis solares na Alemanha.


FORTES PROTESTOS NO SOLAR

 

Em termos práticos, o preço garantido aos produtores de electricidade fotovoltaica vai sofrer um novo corte a 9 de Março, variando entre  20% e 29%, dependendo do dimensão das instalações, que vai desde o painel solar  familiar ao campo reconvertido em central por um agricultor. A redução do preço garantido continuará em várias fases até 2016. Uma outra decisão , o preço garantido não se aplicam mais aos 100% da electricidade gerada mas  apenas a valores entre  85 e 90%, com o objectivo de encorajar  o  consumidor pessoal em detrimento da revenda.


Esta reforma gerou fortes protestos entre os industriais do sector, que já têm dificuldade em  sobreviver contra a concorrência asiática, e que tinham organizado um dia de acção na quinta-feira, com  manifestações de diversas fábricas . A Federação do sector, BSW, calculou  em  “alguns milhares”. o número de manifestantes  em toda a Alemanha.  “O que se está já à espera  é nem mais nem menos do que um acto de abandono da energia solar”, disse o director da BSW, Carsten Körnig. “O governo brinca  de modo muito inconsciente  com os postos de trabalho na indústria solar,” afirmou a União dos Sindicatos IG Metall Union num comunicado denunciando  medidas “populistas” e acusando Berlim de  ser “refém dos operadores de centrais eléctricas alimentadas a energia fóssil “.


Na França, o governo também determinou uma travagem  para impedir o rápido crescimento do  fotovoltaico destes s últimos anos, estabelecendo em Março o preço de compra em cerca de 20% inferior à taxa que tem estado em vigor.


Berlin taille dans les subventions au photovoltaïque ; Le Monde com  AFP,  23.02.2012 

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