Enviaram-nos o video que consta em baixo que é delicioso pelo à vontade que a menina demonstra, pelo seu ar matreiro e cúmplice na adesão aos desafios que lhe são dados por Catarina Furtado.
Pede-se à criança que finja saber falar inglês para enganar um director do programa que o não sabe fazer. É espantosa a capacidade auditiva de apanhar o tipo de entoação, de imitação das palavras, facto a que não será certamente alheio o facto de vivermos rodeados pela língua inglesa, nos programas de televisão e nas músicas.
Questiona-se como a menina embarca na mentira sem considerar se estará a fazer algo de mau.
Primeiro que tudo, tal é-lhe proposto por uma figura adulta e personagem sobejamente conhecida. Será natural que considere que não será grave fazê-lo..
Vejamos:
No início do desenvolvimento moral, a moral das crianças é funcional, elas sabem que há coisas que podem ou não fazer. Abordam as regras de forma rígida e absoluta: as regras não se discutem e são aceites. A regra, pois, começa por ser exterior à consciência, revelada e imposta pelo adultos, a que se obedeve por medo das punições.No início, as crianças julgam os actos de acordo com o seu resultado material, e só mais tarde começam a levar em linha de conta as intenções, as consequências dos actos e preocuparem-se com o que os outros esperam delas.
A identificação com os outros favorece o processo de descentralização das crianças em si próprias, para adoptar as perspectivas dos outros e o respeito mútuo. E só quando se verifica uma interiorização progressiva das leis sociais é que as crianças conseguem perceber a importância de respeitar a verdade.
A anoção de justiça também segue esta linha de desenvolvimento. Só depois de cerca dos 7 anos o acto moral começa a ser um objectivo, que está independente do medo da sansão e as crianças se começam a preocupar com a equidade. De facto, começa-se por obedecer para evitar a punição. Depois chega-se a uma orientação mais calculista em que se cumprem regras para ganhar algo em troca, aceitando que cada um pode ter um diferente ponto de vista, mas as intenções começam a ser consideradas. Mais tarde suge uma época mais convencional em que desejam ser “bons” . Só no final se atinge a ideia de que as regras sociais devem ser determinadas por procedimentos democráticos e onde há um questionamento sobre elas próprias, que só são seguidas a partir do momento em que estas são consideradas democráticas. Num último patamar, chega-se ao que autores chamam “nível quase utópico”, de princípios éticos universais, considerando que a maioria dos indivíduos não atinge este último o nível.


