No dia 29 de Abril celebra-se o Dia Mundial da Dança, data escolhida pelo Comité Internacional de Dança da UNESCO, tendo por base o dia de nascimento de Jean-Georges Noverre, (1727) e foi um dos grandes nomes da dança. A celebração tem como objectivo reunir todos os tipos de dança, celebrar esta arte e mostrar a sua universalidade, independentemente das barreiras políticas, culturais e éticas, assim como reunir todas as pessoas através da paz e da amizade, tendo como linguagem central o conceito da Dança.
Isto serve de pretexto para vos falar de uma experiência quer tivemos no Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia. Já foi há 4 anos. Inserido nas actividades que um grupo de crianças desenvolviam naquilo a que chamos “grupo lúdico-terapêutico”, levámos o grupo a um atelier pedagógico no Centro Cultural de Belém, que recriava o Café Muller, obra da bailarina Pina Bausch. Nela são recriadas as suas emoções quando, no tempo da sua infância, em que tinha que ficar no café que seus pais possuíam, se sentava debaixo da mesa., observando os seus clientes.
Rui Horta, bailarino, considera que a contribuição de Pina Bausch para a dança contemporânea foi “absolutamente incalculável” e que “se hoje estamos com uma linguagem de dança emancipada, com um discurso de autor e uma
teatralidade em perfeita unidade com o corpo devemos à Pina Bausch”.
Ora, aconteceu que as crianças, já habituadas a este tipo de trabalho, aderiram tão bem que foram convidadas para irem assistir ao próprio “Café Müller” no teatro S.Luiz. Foi um facto que nos deixou muito orgulhosos, mas também muito inquietos, por não sabermos como eles se iram comportar. Se estivessem num dia mau… Autorizações dos pais, combinações de deslocação, as crianças entraram pela primeira vez num teatro para uma peça para adultos. E com música clássica cantada – Henri Purcell…Pois não é que conseguiram “entrar” no espírito, se conseguiram conter e no final fazer comentários adequados? Foram apresentadas a Pina Bausch, para grande excitação, sobretudo das técnicas que com eles trabalhavam.
Na altura este acontecimento foi um importante contributo para a sua segurança interna, para um aumento da sua auto-estima: de entre todos os meninos que tinham ido ao CCB eles tinham sido escolhidos para irem ver o original da peça de dança! Não sei se ainda hoje se lembram, mas para nós foi também um reforço na nossa convicção de que através da expressão pelas artes se podem conseguir melhorias nestas crianças com problemas, sobretudo emocionais.




