Ontem, perante milhares de pessoas, na Alameda Afonso Henriques, o secretário-geral da CGTP fez uma longa intervenção, responsabilizando os governos das últimas décadas pela situação económica, pelas políticas de destruição do aparelho produtivo e do agravamento das injustiças sociais: «assinaram o chamado Memorando de entendimento com o FMI-BCE-UE, que promove as injustiças e as desigualdades, que generaliza o empobrecimento da população, aumenta a exclusão social e põe em causa a democracia e a soberania nacional». Disse ainda que os portugueses se devem unir, exigindo «uma mudança de política e de uma política alternativa». E foi, quanto a nós, o mais importante do discurso – a unidade nunca foi tão necessária. Ela só será possível se partidos e movimentos de esquerda não insistirem na tentativa de a guiar, orientar, controlar… Porque a alternativa teremos de ser nós em conjunto e democraticamente a definir. As que já estão feitas, não servem.
Por seu turno, o primeiro-ministro durante um encontro com os Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD), avisou que “A partir de 2013 tenderemos a absorver uma parte do desemprego, uma parte ainda pequena, e a partir de 2014 absorveremos uma fatia mais importante. Ou seja, temos que estar preparados para viver durante pelo menos dois ou três anos com níveis de desemprego a que não estávamos habituados, ele não vai desaparecer de um dia para o outro”, admitiu esta tarde o primeiro-ministro. Já anteontem Vítor Gaspar dissera que a normalidade só voltaria em 2018.
Quer dizer – esta gente, este bando de incompetentes e mentirosos que assaltou o poder, destronando o bando rival de mentirosos e incompetentes, acha que vai ficar até, pelo menos, 2018. Ou então, que as medidas tão sábias que assumiu serão mantidas pelos que vierem. E nesta última suposição é capaz de estar certo.
O dia 1 de Maio de 2012 oscilou entre estes dois pólos – os que querem mudar a situação caótica em que nos puseram e propõem uma acção unitária e os que estão do lado das acções dos assaltantes. Houve também quem fosse viver momentos de acção para uma loja do Pingo Doce…

