PEDAGOGOS PORTUGUESES – RAUL LINO por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

No Dicionário de Pedagogos Portugueses (2003) começa a informação sobre este pedagogo classificando-o como “arquitecto-artista”, tendo nascido em 1879 e falecido em 1974. Fez os seus estudos em Inglaterra e Alemanha onde cursou arquitectura. É desta estadia que lhe vem “uma paixão intensa pela natureza que encontraria terreno fértil na sua disposição natural para a meditação, isolamento e independência de carácter e haveria de marcar o seu percurso profissional”. Com 18 anos começou a integrar as oficinas do pai e a frequentar o círculo cultural de Alexandre Rey Colaço, onde veio a encontrar o “círculo dos seus amigos e clientes: um grupo de intelectuais, artistas, políticos e burgueses cultos, partidários de um nacionalismo romântico e aristocrata”.

É a partir de 1030 que começa a ser considerado um dos “artistas representativos do movimento moderno, mas nunca se entendendo, no entanto,  com os os arquitectos modernistas mais jovens (Keil do Amaral) . Em 1970, a Fundação Gulbenkian fez uma retrospectiva da sua obra. Ficou realçado a sua autoria em mais de 700 trabalhos arquitectónicos, tendo deixado marcas também no desenho de interiores e mobiliários, em azulejos e peças de cerâmica, artes gráficas (ilustração de livros, cenografia). Hoje é censurado por se ter deixado ficar próximo da ideologia autoritária e antiprogressista do Estado Novo.

Mas é a sua actividade como educador estético e o que nos deixou na projecção de várias escolas e jardins de infância que nos interessa aqui falar.

 

É nos jardins-escola João de Deus que se pode melhor ver “o seu esforço no sentido educativo da beleza, tendente a uma harmonia ars vivendi”. O primeiro jardim-escola foi em 1911, em Coimbra. Se João de Deus Ramos forneceu as bases pedagógicas, Raul Lino deixou a marca arquitectónica e o desenho do mobiliário, que representou “uma verdadeira revolução na criação de espaços destinados ao ensino e recreio de crianças, contrastando com as antigas conventuais onde não havia lugar ao lazer dos educandos”. As concepções de Raul Lino sobre esta matéria podem ser lidas em “Considerações sobre a estética nas escolas” onde partilha a tese de que o principal fim da educação “é o desenvolvimento de todas as faculdades do educando de modo a que ele venha a adquirir todas as possibilidades de viver fortemente, completamente”, propondo “uma escola dos sentidos onde se reconheça o alto valor pedagógico da natureza e da arte”, defendendo a introdução da Arte e da Estética nas escolas.

A primeira escola que projectou foi a da Tapada da Ajuda, onde os frescos e azulejos das salas, do refeitório e das
zonas de circulação são consideradas de grande valor artístico.

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