PEDAGOGOS PORTUGUESES – RUI GRÁCIO por clara castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

Rui dos Santos Grácio (1921-1991) licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa e cursou Ciências Pedagógicas em Lisboa e em Coimbra. Em França estagiou e trabalhou com especialistas desta área. Foi professor no Liceu Francês Charles Lepierre, dedicando-se à carreira de investigação científica na Fundação Calouste Gulbenkian a partir de 1963, sendo responsável pelo departamento de pedagogia do seu Centro de Investigação Pedagógica.
Interessou-se pelos aspectos do insucesso escolar e suas determinantes sociais e institucionais. Teve uma participação importante na discussão do programa de reforma Veiga Simão em início da década de 70.

Considera-se que “toda a sua obra é atravessada por um esforço de intervenção e de análise das questões educativas e pedagógicas…. Ele marca toda uma geração que, nas décadas de 60 e 70 despertava para o debate pedagógico, em torno das reformas educativas e da formação de professores”. Faz a ponte entre a pedagogia da
Educação Nova e o “renascimento das ciências da educação no pós-25 de Abril”.

A sua intervenção na área política vinha já da militância nos movimentos da oposição ao regime anterior, tendo sido um dos fundadores do Partido Socialista. É como secretário de estado (1974-75) que “ficou ligado a importantes medidas que assinalam uma profunda mudança na política do ensino”, entre elas nova orientação dos estágios pedagógicos, a gestão colegial das escolas, a criação de área curricular de educação cívica.

Em 1995 a Fundação Gulbenkian publicou os três volumes da sua Obra Completa. Nela se pode ver que ele “explicou que a educação é um dos mais importantes “serviços públicos” e como tal deve permanecer”.

Citemos Rui Grácio:

“Que escola? Que deveria ser a escola? Numa perspectiva antropológica – e que outra há aqui mais fecunda? – ela é o lugar, ou mais modestamente um lugar do homem a fazer”.

O interesse é a condição necessária da aprendizagem e do progresso e afinamento do fazer, do pensar, do sentir; mais: só com interesse há verdadeiro esforço”.

“Ainda fica margem para sonhar uma escola onde se abram os olhos para a observação atenta das coisas, dos seres, das pessoas e se estimule a capacidade de os interrogar imaginativamente e de verificar o que a imaginação intuiu”.

“A imagem caricatural do honesto professor que assídua e pontualmente debita durante uma hora o seu litro de saber e parte com o fatigado sentimento do nobre saber cumprido é a imagem mesma de um ensino obsoleto”.

“Se de algum modo o professor nasce, todavia ele faz-se. E nunca pode considerar-se feito”.

Retirado dos textos de “O Dicionário de Educadores Portugueses”, ASA, 2003

 

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