Esta data, 15 de Maio de 1948, é uma data gloriosa segundo os israelitas, e uma data trágica para o povo palestino. Esta contradição devia ser objecto de reflexão em todo o mundo, em todos os países, por todos os povos. Por várias razões:
A primeira é, sem dúvida, ser importante tentar perceber como se chegou a uma situação tão trágica, apesar de, na altura, a grande maioria das nações estar a favor da constituição do estado de Israel. Sem dúvida que havia uma grande predisposição para tal, após o holocausto do povo judeu e também de outros povos, grupos e pessoas, cometido pelos nazis. O horror dessas acções chocou a grande maioria das pessoas e, muito justificadamente, pensou-se em reparações devidas às vítimas. Até porque se compreendeu que tinha havido uma grande incúria perante as atrocidades de Hitler. E que tinham de ser postos em práticaos valores defendidos pelo chamado Ocidente, que durante séculos quis chamar a si uma espécie de tutela moral do mundo, para ocultar a exploração desenfreada em curso. Ora, para que esses valores fossem concretizados, era indispensável pôr cobro às discriminações e preconceitos que tanto afligiram o povo judeu, entre outros, ao longo dos séculos. Como tão boas intenções puderam desenbocar numa situação tão trágica e, aparentemente, sem saída, tem de ser objecto de uma análise profunda e transparente, não só para se tentar corrigir alguma parte do mal feito, mas como lição para futuro.
A segunda razão é perceber que a NAKBA foi o sinal de partida para uma guerra de conquista, cujo alvo era um povo indefeso. E que essa conquista já andava a ser preparada havia bastante tempo, e que tem continuado, através de vários episódios, e ameaça continuar. Tem apenas um objectivo: expulsar o povo palestino das suas terras, neutralizando a sua resistência. Desde o início que tem sido acompanhada por uma gigantesca campanha de desinformação, destinada a ocultar que se trata de uma guerra de conquista, procurando desacreditar os palestinos como pessoas e como povo, justificar os roubos, os assassinatos e as violações, e fazer passar todos os actos de resistência por actos de banditismo. Esta estratégia, que não era nova, foi posta em prática numa escala nunca vista, e está longe de ser desmascarada, tem sido inclusive aplicada em outros lados do mundo.
Outra razão é perceber os interesses subjacentes aos apoios ao Estado de Israel. A sua posição estratégica no Médio Oriente, a proximidade de grandes recursos petrolíferos, o receio da emancipação dos povos árabes, que papel terão desempenhado antes e depois da NAKBA? Não foi só a solidariedade com um povo mártir. Até que ponto o horror causado pelo holocausto terá sido utilizado para outros fins que não os humanitários?
Será importante ainda perceber outra coiusa. Apesar da colossal campanha de desinformação, desde a primeira hora que muitos perceberam que se estava perante um gigantesco atropelo aos direitos basicos dos palestinos. O receio, muito justificado, do que iria acontecer nos países vizinhos, e não só, tem sido um factor de instabilidade. E o militarismo de israel tem dado razão aos que temem outros atropelos.
Nas pomposas reuniões internacionais em que se discutem, ou se diz discutir problemas importantes, não se consegue dar caminho construtivo a estes problemas. Melhor dito, não há interesse nisso. O reforço da credibilidade da ONU será indispensável,sendo necessário pôr fim à tutela da organização pelas chamadas grande potências. Só assim poderá começar a haver uma mediação internacional credível.
