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É relevante a sequência de derrotas estaduais do partido de Angela Merkel, União Democrata-Cristã (CDU), só ou coligado em vários Estados com o Partido Liberal (FDP), com quem partilha o governo da Alemanha.
Merkel envolveu-se pessoalmente nas campanhas regionais, as derrotas também são dela. O parceiro Liberal ainda sofreu maiores desaires, não tendo conseguido resultados para continuar em alguns dos parlamentos. A tendência demonstra que esta coligação dificilmente governa a Alemanha após as eleições para o Parlamento Alemão (Bundestag), que são em Setembro de 2013.
O plano inclinado da direita alemã, foi marcado com a eleição para a cidade-estado de Hamburgo, a segunda maior da Alemanha, em 20 de Fevereiro de 2011. A CDU teve o pior resultado de sempre, perdeu metade dos deputados (56 para 28) e Olaf Scholz do SPD (Partido Social Democrata, membro da Internacional Socialista) conseguiu a raridade de uma maioria absoluta com 62 lugares.
A 27 do mês seguinte, Kurt Beck do SPD mantém a maioria absoluta no estado da Renânia-Palatino, enquanto o partido da coligação governamental FDP perde todos os 10 deputados. No mesmo dia em Baden-Wurttemberg, a coligação CDU/FDP perde a maioria do Estado, que mantinha à 58 anos, principalmente devido à subida dos Verdes que passaram de 17 para 36 lugares no parlamento, tornando-se Winfried Kretschmann (cabeça de lista dos Verdes) o primeiro-ministro presidente e o primeiro ecologista com tal cargo.
Maio, 22, a coligação SPD/Verdes mantêm a maioria no estado de Bremen, tendo subido 10 lugares no conjunto e a CDU descido, assim como o FDP governamental que perdeu todos os seus 5 deputados. Pela primeira vez os Verdes ultrapassaram o partido de Merkel numas eleições estaduais.
A 4 de Setembro, no estado de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, a região de origem de Ângela Merkel, o vencedor foi o SPD, que reconduziu Erwin Sellring e mais uma vez a CDU perdeu lugares; os Verdes entraram pela primeira vez no parlamento e o FDP perdeu os 7 deputados que tinha. Um partido de extrema-direita (NPD) tem assento neste parlamento.
Dias depois, a 18 de Setembro, no estado de Berlim, o SPD volta a ganhar e o mais relevante em termos da maioria de direita que governa a Alemanha é o desaparecimento do Partido Liberal do parlamento de Berlim, perdeu três quartos dos votos e todos os 13 deputados. Quem apareceu foi o Partido Pirata com 15 lugares na estreia. Sobre esta eleição ver AQUI.
Já este ano, a 25 de Março, a coligação CDU/FDP no estado do Sarre, perde a maioria, tendo o FDP conseguido apenas 1,2% dos votos e perdendo todos os lugares, era o sexto Estado onde o FDP deixava de estar representado. Sendo uma derrota da coligação, a CDU manteve o seu resultado.
A 6 do corrente mês foi a vez de a coligação CDU/FDP perder a maioria no estado de Schleswig-Holstein, onde estavam há sete anos no poder, o FDP desceu para metade, tendo a esquerda conquistado mais mandatos. É o segundo Estado em que o Partido Pirata consegue representação.
Por último, a 13 de Maio, no estado mais populoso da Renânia do Norte-Vestefália, que habitualmente permite leituras para as eleições federais, o SPD ganha com uma subida significativa fazendo com os Verdes (a esquerda/die Linke desaparece) uma maioria que promete para as eleições federais. Os “Piratas” são quem mais sobe e a grande derrotada é Angela Merkel, com um resultado desastroso.
Como escrevi em Setembro de 2011, “ As eleições regionais, claramente perdidas pelas forças políticas do governo, sinalizam a subida sustentada dos sociais-democratas e dos Verdes, com condições para disputar o governo alemão. Para o conjunto da União Europeia seria uma enorme mudança, tendo como único senão o tempo. Com a crise do euro a necessitar de soluções urgentes, a previsível alteração do poder político na Alemanha pode chegar tarde”.
Provavelmente tarde para a Grécia acrescentaria agora, mas estas eleições estaduais, com a vitória de Hollande em França, vão impor mudanças na política interna alemã e na política europeia mesmo antes das eleições de Setembro de 2013 na Alemanha.
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