COMPOSITORES FAMOSOS – SCHÖNBERG – por Luís Rocha

Ao lado um auto-retrato de Arnold Schönberg. De origem judaica, nasceu em Viena, a 13 de Setembro de 1874.

Juntamente com Webern e Berg foi o fundador da Escola de Viena – às vezes designada por segunda, para a distinguir da primeira ou clássica.

A sua vocação musical, claramente manifestada desde a infância, limitou-se a uma formação de autodidata. A evolução da sua formação musical e as características desta, bem como o seu conhecimento relativamente superficial da prática instrumental, foram condicionados pela pobreza da família.

 

As primeiras obras de Schönberg baseiam-se na herança Wagneriana, que conjugou com o legado formal de Brahms – “Um quarteto em ré maior (1897) ”, “Duas Canções op.”, “Quatro Canções, op. 2” e o sexteto de cordas “Noite Transfigurada, op.4”.

Estas obras revelam o espírito inovador e criador que acompanhou o compositor durante toda a sua vida. A novidade de “Noite Transfigurada” escrita em 1899, reside principalmente no facto de ter transplantado a ideia do poema sinfónico para a intimidade do conjunto de câmara. O tema baseia-se num poema de Richard Dehmel, intitulado “Mulher e Mundo”, que apresenta uma oposição entre a confissão apaixonada e trágica de uma mulher, infiel ao homem que ama e a aceitação da sua infidelidade por parte deste.

 

 

 

No período de 1900 a 1914, Schönberg desenvolveu uma grande actividade criadora. Estes anos inserem-se entre os mais fascinantes da história do Ocidente. Descobriram-se as teorias dos quantas e da relatividade; aperfeiçoaram-se a navegação aérea; criaram-se as bases dos meios de comunicação; registaram-se as principais revoluções sociais; os colonialismos entraram em crise; lançaram-se as bases da intercultura planetária; descobriu-se a psicanálise e começou a expansão do cinema. Nesta mudança profunda, a escola de Viena teve um papel essencial pelo que implicou na transformação das estruturas musicais.

 

Schönberg compôs um poema sinfónico “Pelleas und Melisane (1903), inspirado na obra homónima de Maurice Maeterlick”, “Seis Canções para Voz e Orquestra, op.8”, as baladas para voz e piano “Paz na Terra” para coro, “o quarteto nº.2, para voz e quarteto de cordas”, o ciclo “Livro dos Jardins Suspensos”, para voz e piano, as peças para piano op.11 e op.19.

 

 

 

Schönberg pode assim ser considerado como um compositor revolucionário ao conjugar um universo musical com uma lógica própria. Esta originalidade sobressai em peças como “Erwartung (espera) ” sobre um texto de Maria Pappenheim e “Die Glückliche Hand (a mão feliz)” do próprio autor.

Compôs também “Pierrot Lunaire”, uma das obras-chave da história da música do Ocidente. Já não se trata de uma música que se apoia num texto, mas sim de música e texto que se seguem tão de perto que é impossível separa-los.

A música consegue uma leitura paralela do ambiente poético, quer pela melodia de “A Lua Doente”, quer pela compreensão do tempo na “Canção de Forca”, quer pelas subtilezas harmónicas de “Uma Lavadeira Pálida” e “Oh, Velho Perfume, quer pela complexidade de “Noite” ou de “A Mancha de Lua”, quer pelo uso excelente de registo e do timbre, como em “Robot”, quer ainda pelos achados dinâmicos e utilização do fraseio, como em “Decapitação”.

 

 

 

A seguir à Primeira Guerra Mundial Schönberg isolou-se da sociedade. Pintou, sem descanso, uma serie de auto-retratos e de figuras do mundo expressionista, reflectiu e tirou notas para a sua obra “A Escada de Jacob”.

Foi um dos inspiradores da inovadora técnica dodecafónica, cujos princípios se baseiam no seguinte: o compositor ordena os doze sons da gama cromática naquilo a que se chama uma série. Esta pode ser lida: tal e qual e tê-la-emos no seu estado original; a partir de cada um dos graus que a compôs e tê-la-emos transposta doze vezes; ao contrário e tê-la-emos retrogradada; de forma inversa, ou seja, lendo os seus intervalos ascendentes como descendentes e vice-versa e tê-la-emos invertida; os sons podem repetir-se, mas não para trás, dentro da mesma série; todos os sons têm igual importância, etc.

Assiste-se assim na música ao nascimento do “neoclassismo”, ou seja, a evasão das responsabilidades estéticas do passado. O dodecafonismo, tal como Schönberg o entendeu, tem bastante de espírito neoclássico. É um sistema que se pode ensinar e aprender e que consiste em assimilar regras bem claras.

 

Em poucas obras se vê esta técnica mais conscientemente desenvolvida do que nas “5 Peças, op.16”, para orquestra. A sua primeira edição, publicada em Janeiro de 1912, apresentava títulos descritivos: “Premonições”, “Cores”, etc.

 

 

 

Em 1933, Hitler subiu ao poder na Alemanha e Schönberg (judeu) teve de abandonar o seu país.

Foi para Paris e mais tarde emigrou para os Estados Unidos, onde fixou residência em Los Angeles, a pouca distância de outro ilustre exilado (Igor Stravinsky), com quem nunca se encontrou.

Nacionalizou-se norte-americano tendo ensinado na Universidade de Los Angeles, onde morreu a 13 de Julho de 1951.

 

A ópera inacabada “Moses und Aron” onde o empenho simultâneo de papéis cantados e falados se reveste de uma inegável qualidade dramática é, sem dúvida, a manifestação mais relevante do último período da existência de Schönberg.

 

 

 

Ao agradecer o prémio que a Academia de Artes e Letras lhe atribuíra em 1947, Schönberg expressou-se assim:

“Parece-me exagerado que considereis extraordinário o que procurei fazer nestes últimos 50 anos. Pela minha parte, tive a sensação de cair num oceano de água a ferver. Não sabendo nadar nem como sair tentei empregar braços e pernas para me manter a flutuar. Não sei o que salvou de me afogar ou de ser cozido vivo. Não julgo ter senão um mérito: nunca ter desistido da minha luta.”

 

 

Base da informação: colecção “Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores” – Luis de Pablo

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