O MAR – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  
Estrondo, violência, as ondas a quebrar, também quebrado o meu entendimento. De alguma coisa o mar quer avisar-me e não entendo, tenho medo, o surdo, o sem raiz.

Eu, a minha mulher e os nossos quatro filhos seguimos pelo areal mas longe da berma, não fosse alguma onda puxar-nos. De repente notámos a ausência da Amélia, que tinha apenas oito anos. Em desespero, corremos toda a praia a gritar por ela. Finalmente surgiu. Sem avisar, escapara para a casa da D. Alice só para brincar com as bonecas da sua amiga Nini. Perdi a tola, dei-lhe um estalo. Começou a chorar. Puxei-a para o meu colo, abracei-a, abraçou-me. Arrependidos, eu por lhe bater, ela por fugir.

Na manhã seguinte o mar deu à costa o cadáver de uma garota de uns treze anos, de bikini, os seios a despontar. 

Já sei o que o mar queria dizer-me…
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