Não esqueçamos Munique Marianne 2

A França deve apenas calar e seguir?

 

Muitos intervenientes da esfera política ou dos médiaestão constantemente a lembrar-nos que é necessário entendermo-nos com Berlim, até mesmo que é necessário que a França renuncie às suas aplicações realistas: um relançamento do crescimento e o fim desta austeridade que está a matar a Europa. Michel Rocard falou-nos dos seus medos de um confronto entre a França e a Alemanha, provocado pela França, desde que o presidente François Hollande falou da necessidade de relançar o crescimento. Esta tirada fez saltar muitosfranceses cujopensamento crítico tem sido desenvolvido a praticamente nunca ter visto François Hollande ser agitado, ser provocador. Ele é calmo e é um excelente negociador. Contudo, muitos jornalistas não param de falar nas rádios e na televisão a repetir que a França não deve irritar, não deve incomodar, a Alemanha. Será que eladeve apenas estar calada? Para o observador atento, não há nada nas declarações francesas nada que possa chocar. Os alemães exigem rigor, ainda rigor, sempre rigor; Esta política é: . Um desastre económico (toda a Europa está em recessão) . Um desastre social (o desemprego explode e está agora em 24%em Espanha e é de 22.5% Na Grécia, de 17% Portugal, de12% emItália) . Um desastre para a Europa porque cria uma forte tensão entre os povos (perguntem aos gregos, aos espanhóis, aos italianos, o que é que eles pensam dos alemães . François Hollande pretende mudar esta política e pediu sem nenhuma agressividade uma mudança. Ele tem razão, ele está certo em ter a coragem de representar as aspirações do nosso país, é esse o seu papel como Presidente!

 

A Alemanha tem conduzido uma forma de guerra económica na Europa

A Alemanha não tem tido nenhum crescimento nas suas vendas a retalho desde há 10 anos, como se pode ver no gráfico abaixo e tem absoluta necessidade do consumidor europeu e especialmente do francês para assegurar o seu crescimento. A Alemanha tem conseguido reduzir os salários, aplicando a agenda de 2010 do governo Schröder. Esta queda dos salários permitiu aos alemães ganharem quotas de mercado em todo o mundo, mas especialmente na Europa e alcançarem um crescimento económico sem aumento da procura interna!

 

 

 

 

Com a diminuição de salários, a Alemanha ganhou a sua guerra económica contra os seus parceiros europeus. Ela conseguiu criar grandes excedentes externos, espelho dos défices do Sul da Europa, entre os quais está a França.

 

 

 

O que fez a Alemanha na Europa é sério: a isto chama-se guerra económica, conduzida ainda por cima contra os seus parceiros.

 

A Alemanha exige reformas terríveis aos seus parceiros

 

Depois de ter vencido esta guerra e enfraquecido os seus parceiros, a Alemanha tem imposto desde há dois anos reformas impiedosas, que estão a provocar desemprego maciço nos países do Sul da Europa.

 

 

 

 

 

Ela impõe uma cura derigor que de modo nenhum está a funcionar e, por exemplo, o PIB da Grécia perdeu 15% em 2 anos; a destruição das empresas gregas deixou o país exangue, muito mais pobre, sem possibilidade de criar rapidamente uma situação de retoma e a crise económica e social está a tornar-se agora uma crise sanitária com a falta de medicamentos essenciais. E tudo isso para nada! As receitas fiscais afundam-se com o crescimento, os défices públicos não baixam e permanecem à volta de 9% do PIB! A Espanha está a seguir o caminho daGrécia com um atraso de um ano. A taxa de desemprego é de 24% da população. O défice público não se reduz e permanece em 9% do PIB. A dívida aumenta constantemente. Os problemas sociais e políticos acentuam-se sem que nenhum caminho de crescimento apareça. Pelo contrário, as vendas a retalho caíram em 2 anos de 25% e a destruição do tecido económico espanhol está já em grande embalagem. A Itália também segue este caminho com atraso de um ano sobre a Espanha.

 

A Alemanha propõe remédios que destroem as economias europeias e fica zangada quando se lhe resiste. Sra. Merkel, François Hollande, o nosso Presidente, tem o direito de pedir um relançamento inteligente do crescimento. O BCE forneceu 1000 milhares de milhões de euros aos bancos que nada fizeram! O crescimento pode ser criado livre de dívidas, usando apenas o dinheiro gratuitocriado pelo BCE para lançar programas de infra-estruturas úteis. Porque não investir na economia real! É a Alemanha que bloqueia esse papel para relançar ocrescimento que deveria desempenhar o BCE e que, em vez disso, está a colocar aEuropa num impasse. Então, senhora Merkel, se deseja a destruição da Europa atravésdas políticas económicas suicidas, não nos peça paraa acompanhare para nos afundarmos no vazio. A guerra já não se faz mais pela força das armas, mas aparentemente faz-se pela economia. Nós lembramos a todos os jornalistas que nos pedem para ser gentis e seguidores face às opções da Alemanha, a todos eles relembramos, que Munique foi o momento em que os poderes públicos da França e da Inglaterra deixaram uma Alemanha louca apropriar-se deuma parte da Checoslováquia. Um ano depois, foi a vez da Polónia: o facto de não resistir não ajudou em nada o nosso país a evitar a guerra. Infelizmente, a Alemanha pode tornar-se louca, já mostrou isso no passado. Sejamos vigilantes. Para preparar a paz, é necessário saber-se rearmar intelectualmente e do ponto de vista económico, é necessário saber-se defender e resistir à loucura. N’oublions pas Munich !, disponível no site: http://www.marianne2.fr/Croissance-pourquoi-Hollaandee-ne-doit-pas-etre-gentil-avec-Merkel_a219682.html?com&start=20#comments

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