PAI OU PADRE? Por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

           D. Gertrudes era mãe do Toninho e governanta da casa do Padre Joaquim. Governanta não só de casa mas também de cama, o que evitou que o Padre Joaquim, no confessionário, desencaminhasse virgens ou mulheres casadas.


         Porque os outros meninos tinham pai em casa, o Toninho gostava de chamar pai ao Padre. Só por isso a D. Gertrudes não se cansava de lhe bater com a colher de pau…


         Aos quinze anos o António esquivou-se e disse à D. Gertrudes:


         – Ó mãezinha, em espanhol  padre é pai. Mas como eu vivo em Portugal, digo pai, digo pai, digo pai…

         O António deu em estroina, mulheres e bebedeiras. Aos 22 anos morreu anavalhado em Lisboa, no Bairro Alto, num rixa de fadistas.

         

         Pouco tempo depois, ao comemorar o 25.º aniversário da sua primeira missa, o Padre Joaquim foi buscar a garrafa de vinho do Porto desde então guardada. Ao sacar a rolha, espalhou-se um pivete de revirar o bucho dos convidados. Mas o que é, o que não é? Era mijo a fermentar há mais de um lustre. Mais uma proeza, embora retardada, do Toninho que Deus haja… Que Deus haja?

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