EM COMBATE – 112 – por José Brandão

Companhia de Caçadores 2402

 

 

 

 

GUINÉ
1968-1970

 

 

Partida para a Guiné

A Companhia de Caçadores 2402 do Batalhão de Caçadores 2851, formou-se no Regimento de Infantaria nº 1, na Amadora.

 

 

 

Embarcou no paquete “Uíge” a 24 de Julho de 1968, com destino à Guiné.

 

Primeiro ataque ao quartel de Có.

Em 29 de Agosto de 1968, menos de um mês após a nossa chegada, sofremos o primeiro ataque inimigo ao aquartelamento de Có. Foi um teste do inimigo à real capacidade desta nova unidade, chegada recentemente ao local, em termos militares. Por termos militares entenda-se, poder de fogo, coragem e capacidade de reacção.

Às 6.25 horas da manhã, um grupo estimado entre 20 a 30 elementos atacou o quartel pelo lado da pista durante cerca de 15 minutos, utilizando tiro de morteiro 60, metralhadoras pesadas, armas automáticas ligeiras e lança-granadas foguete.

Como o ataque foi curto, quando chegámos ao local de onde o inimigo tinha iniciado os disparos, já se tinha feito silêncio no tiroteio e não estava qualquer inimigo à vista.

 

História da CCaç 2402 durante a sua permanência no Olossato.

 

 

 

As minas utilizadas na Guiné pelo inimigo, quer fossem anticarro (AC) ou antipessoal (AP), eram, quase na sua totalidade, feitas de madeira, com um ou mais petardos de trótil no seu interior, accionadas por um detonador local. Tudo muito simples, barato e eficiente.

 

Uma mina AP era pequena, do tamanho da palma da mão, só tinha um petardo no interior da sua caixa de madeira, mais do que suficiente para destruir uma perna a quem a pisasse, como foi o caso do nosso Major do BCaç 2851 em Mansabá.

 

A mina AC era maior e o seu poder destruidor variava entre seis a doze vezes o poder de uma AP.

Muitas vezes o azar dita as suas leis mesmo aos mais cautelosos e o rebentamento duma mina pode ser

accionado pela segunda viatura ou terceira e não pela primeira.

 

A 4 de Julho de 1969, coube a uma coluna de reabastecimento da nossa companhia, a infelicidade de accionar uma dessas minas AC causando a destruição completa de uma viatura GMC.

 

Em termos de baixas humanas a nossa sorte não podia ter sido maior. O condutor da viatura, segundo o relato dum camarada de armas, era o Cabo Lopes, que sofreu ferimentos ligeiros, possivelmente por ter sido cuspido da cabina. Não posso precisar se mais alguém terá sido ferido.

 

A escolha do condutor da viatura rebenta-minas era feita por lista entre todos os condutores operacionais, porque, como é óbvio, não havia voluntários.

 

Raul Albino, ex-Alferes Miliciano da CCaç 2402/BCAÇ 2851

 

O primeiro ataque ao Olossato.

 

A 31 de Julho de 1969, pelas 19, 30 horas, deu-se o primeiro ataque ao aquartelamento do Olossato, por um grupo inimigo não avaliado. A anterior agressão ao quartel datava de 17 de Fevereiro desse mesmo ano, quando a guarnição era feita, salvo erro, pela CCaç 2403 do nosso Batalhão.

 

A flagelação durou cerca de 20 minutos e o inimigo utilizou no ataque os habituais (naquela altura e naquele local) Morteiros 82 e 60, Lança Granadas Foguete, Metralhadoras Pesadas e Ligeiras, Armas automáticas e Canhão S/R, causando 3 feridos ligeiros nas nossas tropas e 2 feridos ligeiros na população.

 

Desta vez não houve danos materiais assinaláveis no aquartelamento e na povoação. As nossas tropas reagiram com fogo de Morteiro 81 muito certeiro, como se pôde confirmar posteriormente no reconhecimento à base de fogos do inimigo. As nossas tropas, com a colaboração do Pelotão de Milícias 286, reagiram prontamente pelo fogo e manobra, pondo o inimigo em debandada e fazendo abortar o ataque que acabou por durar pouco mais de um quarto de hora.

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