Sobre a nova geografia da União Europeia, de Riga a Nicósia, olhares sobre a sua geografia política e económica que na zona euro está a ser instalada.

Por Júlio Marques Mota

 

1.Sobre a nova geografia na Europa

 

(continuação)

 

Chipre reserva-nos surpresas. Será uma ilha bonita, é-o certamente a olhar para a foto abaixo:

 

 

Águas límpidas, portanto. Mas Nicósia pode levantar outro problema. É certo que as águas do mar estão transparentes, é certo que as  ruas estarão limpinhas, cheias de vasos de flores até  pagos com o dinheiro do resgate, mas por Nicósia há outras sujidades bem mais profundas que não são nada visíveis, inscritas na dinâmica do capitalismo selvagem a que Bruxelas se submete. Por Nicósia passam os capitais sujos vindos da ex-União Soviética, havendo quem esta cidade considere “como uma estação de transito para crápulas planetários”, por aqui passam então as célebres máfias  russas e não é por acaso que num documento da KPMG se pode ler que em Chipre as  “Relations with tax authorities were generally positive, with an average of 60 percent across Europe saying that this is an attractive part of their regime.” Para além de Chipre “The countries with the highest scores in this area were Ireland, Switzerland, Estonia, Finland, Denmark, Slovenia and Lithuania”. Em suma, Chipre é um bom paraíso fiscal e compreendem-se bem então as ligações com Moscovo.

  

No ranking estabelecido quanto á atractividade fiscal temos o seguinte:

 

 

 

 

E esta tabela é pelo menos curiosa se tivermos em conta a crise europeia e os que que mais se manifestam contra qualquer saída de solução para a crise, se tivermos em conta os países acima citados e que se começam a sentir como reféns dos países fragilizados. Mas esta matéria fica para um outro post a publicar neste blog.

 

 

Se tivermos em conta que a configuração dos trusts pode significar um nível de sigilo bancário, como no-lo explica qualquer bom texto sobre paraísos fiscais, percebe-se então o seguinte folheto de publicidade sobre Chipre:

 

 

 

      

 

 

Não haja portanto dúvidas de que estamos perante um paraíso fiscal e é este que assume a Presidência Europeia, a dar, por isso mesmo, uma outra e verdadeira imagem da zona Euro. Chipre, porém, reserva-nos ainda outras surpresas, talvez bem mais complicadas.

 

 

Dadas as tensões entre Nicósia e Ancara, entre Atenas e Bruxelas, entre Ancara e Atenas então, muito claramente, a zona onde está sediada a Presidência Europeia é uma verdadeira bomba pronta a explodir ao mínimo toque na cavilha. Esperemos que a submissão das altas autoridades europeias aos mercados de capitais não as leve a tocar na cavilha, dada a incompetência mais que provada em tratarem de questões complexas. Seria então a realização de uma outra geografia ainda bem pior que imediatamente se desencadearia.  

 

 

 

E digam-me então; não deverão estes novos geógrafos serem todos eles presos,  enviados para as masmorras do fim da História, condenados politicamente até à eternidade??? Digam-me só se não tenho razão !

 

   

(continua)

 

 

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