EM COMBATE – 134 – por José Brandão

A CCAV 3420 saiu de Guidage a 11 de Junho mas manteve-se emboscada na bolanha do Cufeu e na manhã de 12 regressou a Binta.

As baixas das colunas de e para Guidage de 8 de Maio a 8 de Junho foram de:
– 22 mortos;
– 70 feridos;
– e 6 viaturas destruídas.

 

De 8 de Maio a 29 de Junho, Guidage sofreu 43 flagelações com artilharia, foguetes e morteiro. Logo no dia 8 esteve debaixo de fogo 5 vezes, no total de 2 horas. No dia 9 sofreu 4 ataques, no dia 10, 3 ataques e, até final todos os dias foi atacado. No total dos 43 ataques a guarnição de Guidage sofreu 7 mortos, 30 feridos militares e 15 feridos entre a população civil e todos os edifícios do quartel ficaram bastante destruídos.

 

Até 29 de Junho a Companhia permaneceu em Binta e, neste período fez no dia 17 escolta a uma coluna de 6 viaturas de Binta para Guidage e em 25 fez emboscada no Alabato, dando protecção a uma coluna para Guidage. A 29 de Junho a Companhia regressou a Farim e a 30 a Bissau.

Já em Bissau fez ainda uma protecção a coluna com 28 viaturas até Farim. E enquanto aguardava regresso à metrópole fez protecção ao perímetro de Bissau, bem como outros serviços esporádicos. E porque inicialmente a Companhia tinha por missão uma operação de 6 dias, os homens não tiveram outra roupa para além da que tinham no corpo.

 

Os elementos da Companhia 3420 quando a 30 de Junho regressaram a Bissau, pareciam um grupo de salteadores, já que a operação não decorreu nos 6 dias previstos, mas durou 37 dias, na zona Binta/Guidage.
Apesar de ao longo de toda a comissão a CCAV 3420 ter sido uma Companhia de Intervenção, o período de 26 de Maio a 30 de Junho foi sem dúvida, o mais difícil e aquele que provavelmente os elementos mais recordam, pelos momentos críticos por que passaram, mas, que com a disciplina, a que desde o início se habituaram e pelo comandante que tinham, souberam contornar todas as situações e em 2 de Outubro regressaram à Metrópole, com a satisfação de terem sido comandados por um homem como Salgueiro Maia.
Ex-Furriel Afonso, 3.º Grupo de Combate da CCAV 3420 (1971/73).

 

“As Nossas Tropas (NT) iam somando insucessos, alguns dos quais muito graves como o abandono de Gadamael Porto, a dramática retirada do inferno de Guileje, em cuja consequência foi preso o Major Coutinho e Lima, por ter decidido salvar as vidas dos seus homens e o cerco de Guidaje. No rompimento deste cerco foi decisiva a acção do meu camarada Salgueiro Maia, cuja Companhia de Cavalaria já tinha acabado a sua comissão e aguardava embarque para Lisboa, mas à qual estava guardado o pior bocado.

“Estavam empenhadas neste cerco as três Companhias de Comandos Africanos, uma delas comandada pelo capitão Carlos Matos Gomes, um dos principais oficiais do MFA na Guiné.

“Só um comandante natural como o Salgueiro Maia conseguiria mobilizar novamente os seus homens para uma das mais violentas campanhas de guerra e da qual saíu com muitos mortos e feridos.
“Salgueiro Maia regressou a Lisboa já no mês de Outubro de 1973”.

Testemunho do tenente-coronel J. Sales Golias.

 

http://santamargarida.blogspot.com/2007/09/954-os-progressistas-de-salgueiro-maia.html

 

 

A seguir -Companhia de Caçadores 4143

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