1.Portugal – Por favor, quando sair desligue as luzes! – II
Edward Hugh
(continuação)
Uma sociedade a envelhecer com uma dívida crescente
O problema de Portugal é tanto sobre a dívida como o é sobre o crescimento. Durante os anos do euro os níveis tanto da dívida do sector público como da dívida do sector privado cresceram substancialmente – o que significa que estão perante o pior de todos casos possíveis, estão no pior dos mundos, portanto.
Além disso, o país tem uma dívida do sector privado (incluindo os valores mobiliários, bem como empréstimos bancários), no montante de 249% do PIB no final de 2011 de acordo com dados do Eurostat. Adicione-se a isto 106% da dívida bruta do governo e ter-se-á uma dívida total em relação ao PIB de cerca de 355%. Sem crescimento económico esta situação não é claramente sustentável. Na verdade o que é incrível é como o país foi capaz de acumular tanta dívida sem se fazer acompanhar pelo crescimento económico. Assim, o resultado da entrada no euro, foi, francamente, terrível.
E isto não é apenas por causa da dívida antiga. Muito destes valores têm sido financiados através do mercado interbancário europeu, o que significa uma enorme dívida externa que tem funcionado bem até e tem sido utilizada para financiar todas as importações e os défices da conta corrente. A posição líquida de Portugal quanto ao investimento internacional mostrou uma dívida de mais de 100% do PIB no final de 2011.
Agora, é claro que o momento da verdade chegou e com ele chegou pois a hora de começar a pagar esta factura. O que significa que os padrões de vida que estavam a ser mantidos através de empréstimos para comprar as importações cairão logo que acabem as possibilidades de empréstimo, mas estes padrões também irão cair devido à necessidade de agora se ter que pagar as somas pedidas emprestadas ao longo do tempo…
Assim, bem longe da hipótese de a adesão ao euro ter sido um sucesso absoluto para Portugal, o país é sujeito a uma séria ausência de crescimento do nível de vida e até é mesmo sujeito a uma perda de posição relativa na “Euro League”. Se olharmos para o gráfico abaixo – o que mostra o PIB per capita em Portugal e na Eslovénia como uma percentagem da média da UE -, podemos ver que enquanto os padrões de vida na Eslovénia aumentaram de forma constante durante a primeira década deste século, em Portugal estes foram mais ou menos estacionários (em termos relativos). No entanto, como sabemos, Portugal é um país relativamente pobre em termos da União Europeia, e deveria ter beneficiado muito, muito mais. Agora, a posição relativa de Portugal provavelmente irá cair ainda mais.
O que eu muitas vezes digo sobre a união monetária é que esta é uma estrutura que ofereceu todas as facilidades para um país que quisesse ficar em apuros (empréstimos baratos, crédito maiores, muito baixos spreads da dívida soberana), o que torna muito mais difícil corrigir os problemas, uma vez que estes se acumularam ao longo do tempo. A tragédia de Portugal é que ele começou a ter problemas já um pouco antes da sua adesão e a entrada na zona euro só contribuiu para trazer mais problemas aos países em vez de lhes oferecer um quadro que lhes tornasse possível sair deles. Como é irónico que um país incapaz de fazer avançar sem ajudas a sua reforma e o programa de crescimento que se tornou conhecido como a Agenda de Lisboa seja exactamente Portugal. A verdadeira agenda “Lisboa” era, evidentemente, algo completamente diferente.
The curious thing about Portugal is how its trajectory towards first full EU and later EMU membership shows more resemblance to the path which was later trod by a number of East European societies than it does to that of its South European peers.
(continua)




