Foram ignorados:
1. Falecimento do poeta, crítico literário e ensaísta Adolfo Casais Monteiro; formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na antiga Faculdade de Letras do Porto, onde teve como mestre Leonardo Coimbra, a quem viria a associar-se, no final dos anos 20, com Sant’Ana Dionísio, na direcção de “A Águia”; o seu nome encontra-se vinculado, porém, à história da revista “Presença”, cuja direcção integrou, ao lado de José Régio e João Gaspar Simões, a partir de 1931, e em cujas edições publicou as suas primeiras colectâneas poéticas (“Confusão”, 1929; “Poemas do Tempo Incerto”, 1934; “Sempre e Sem Fim”, 1937); forçado a abandonar o ensino em 1937, por motivos políticos, foi colaborador de inúmeras publicações periódicas; dirigiu, com António Pedro, o “Mundo Literário” (1946-47) e desenvolveu, até 1954, data do seu exílio no Brasil, uma intensa actividade como editor e como tradutor (Baudelaire, Charlotte Brontë, Erskine Caldwell, Alexis Carrel, George Eliot, Hemingway, Philippe Hériat, Kierkegaard, Jules Lachelier, Robert Margerit, Stendhal, Tolstoi, Henri Troyat); no Brasil, como professor universitário, continuou uma importante carreira como ensaísta, de que se destacam: por um lado, a divulgação e atento estudo da estética de Fernando Pessoa, cuja primeira edição da obra poética organizara com José Régio e João Gaspar Simões; e, por outro, a reflexão e teorização sobre o alcance do movimento da “Presença”; segundo Fernando J. B. Martinho, Adolfo Casais Monteiro foi, enquanto poeta, «não só dos mais tocados pela sombra de Pessoa, como também um dos poucos que soube, na sua geração, assimilar e ampliar o vector vanguardista do primeiro modernismo»; dois anos depois do seu falecimento, ocorrido na cidade brasileira de São Paulo, foi instituído, com o patrocínio da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Literário de Poesia Adolfo Casais Monteiro;

2. Falecimento do poeta e ensaísta norte-americano Ezra Pound; formado pela Universidade de Pensilvânia, em 1906, leccionou românicas durante um breve período em Crawfordsville, Indiana, após o que viajou por Espanha, Itália e França; o seu primeiro livro de poemas, “A Lume Spento”, foi publicado em Veneza em 1908; nesse ano fixou-se em Londres, onde travou conhecimento com alguns dos mais importantes poetas e escritores da época: Ford Madox Ford, James Joyce, Wyndham Lewis, W. B. Yeats e T. S. Eliot, entre outros; em 1909 publicou “Personae e Exultations”, a que se seguiu um volume de ensaios críticos intitulado “The Spirit of Romance” (1910); conhecedor das literaturas europeia e oriental, Pound associou-se desde muito cedo à escola dos imagistas, que liderou de forma particularmente enérgica, até abandonar a abandonar em 1914; nos seus “Cantos”, publicados numa longa série, entre 1917-49, Pound procurou elaborar uma versão moderna da “Divina Comédia”, de Dante; no ano de 1920, fixa-se em Paris, onde exerce grande influência em escritores compatriotas que aí viviam, como Hemingway, Gertrude Stein e F. Scott Fitzgerald; em 1924, radica-se em Itália, já com Mussolini no poder, de onde só sairá em 1939 para uma breve visita aos Estados Unidos a fim de ser doutorado honoris causa pelo Hamilton College, e depois, em 1945, quando é levado preso para os Estados Unidos a fim de ser julgado por alegada traição; a acusação de traição à pátria, formulada pelo Tribunal de Columbia, em 1943, baseou-se nas emissões que regularmente mantivera na rádio de Roma, em 1941-42, de apoio ao regime de Mussolini; a sua grande luta fora, porém, travada contra o materialismo e aquilo que designou por “usurocracia”, que dominava o mundo (designadamente a América rooseveltiana) tendo encontrado no fascismo mussoliniano um antídoto que poderia ser eficaz; declarado louco, é internado no Hospital de Saint-Elizabeth, em Washington, não cessando de crescer ao longo dos anos um vasto movimento mundial a favor da sua libertação, o que vem a acontecer em 1958, com a justificação médica de «louco incurável mas inofensivo»; regressa então a Veneza, trabalhando até à morte, nos “Cantos”, a sua obra maior;a influência de Ezra Pound na produção poética de língua inglesa do século XX foi imensa, particularmente em T. S. Eliot, que submeteu o manuscrito da sua obra “The Waste Land” (“A Terra Devastada”) à sua apreciação antes de o publicar (1922); as correcções feitas por Pound mereceram-lhe a dedicatória de Eliot: “For Ezra Pound, il miglior fabbro” (“A Ezra Pound, o melhor artífice”);
3. Falecimento do poeta e escritor francês Jules Romains; é o criador do unanimismo, com a obra poética “La Vie Unanime”, editada em 1908; a sua produção ficcional inclui os romances “Mort de Quelqu’un” (1911), “Les Copains” (1913), a trilogia romanesca “Psyché” (“Lucienne”; “Le Dieu des Corps”; “Quand le Navire…”) (1922-1929) e o ciclo em 27 volumes “Hommes de Bonne Volonté” (1932-1946) no qual não há um herói preciso, mas a narração da vida de numerosas pessoas que ora se cruzam ora se afastam; dedicou-se também ao teatro, sendo de destacar a peça “Knock ou le Triomphe de la Médecine” (1923), que o consagrou como autor cómico e satírico;
4. Falecimento do antropólogo e paleoantropólogo britânico Louis Leakey; nascido em Kabete, no Quénia, cresceu entre os Kikuyu, tribo junto da qual os seus pais exerciam a missionação; depois de concluir os estudos em Inglaterra, voltou à África oriental para uma série de expedições arqueológicas, entre 1926 e 1935, com o propósito de estudar a sequência das culturas pré-históricas do Quénia; em 1937, inicia trabalhos de campo com a tribo Kikuyu, de que resulta a obra “Mau-Mau and the Kikuyu” (1952), pela qual obtém grande reconhecimento; as suas mais importantes descobertas arqueológicas e antropológicas viriam a ter lugar na Tanzânia, na garganta do Olduvai, a partir de 1951, onde trabalhou incessantemente, acompanhado de sua mulher, Mary Douglas Leakey, e dos filhos; de entre as suas mais reputadas descobertas, destacam-se os fósseis de um Australopitecus robustus (1,7 ou 1,6 milhões de anos), em 1959, e de um Homo habilis (entre 2 e 1,6 milhões de anos), em 1964, sendo este último considerado como um dos mais antigos ancestrais directos conhecidos do Homem; tais achados permitiram, entre outras ilações, confirmar África como o berço da Humanidade, comprovando a teoria darwiniana e corroborando as descobertas de Raymond Dart;
5. Falecimento do actor e cantor francês Maurice Chevalier; benjamim de nove irmãos, deixou de estudar aos onze anos de idade para trabalhar como operário; o seu primeiro contacto com o meio artístico foi como acrobata num circo, mas um acidente que lhe causou a fractura de um braço levou-o a abandonar as artes circenses; dedicou-se então às canções e rapidamente se tornou famoso no circuito dos cabarés parisienses e, em 1908, chegaria ao cinema, participando na curta-metragem “Trop Crédules”; quando eclodiu a I Guerra Mundial, era uma estrela das Folies-Bergère; é mobilizado, mas a sua recusa em combater acarreta-lhe o aprisionamento durante dois anos num campo militar na Alemanha; em 1917, começa a cantar no Casino de Paris, e em 1929, depois de numerosos convites, ruma a Hollywood, onde encanta os americanos com o seu timbre melodioso; recebe uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor pela sua participação nos filmes “O Grande Charco” (“The Big Pond”, 1930) e “A Parada do Amor”(“The Love Parade”, 1930); ficou célebre o seu dueto com Jeanette MacDonald “We Will Always Be Sweethearts” no filme “A Viúva Alegre” (“The Merry Widow”, 1934), de Ernest Lubitsch, adaptado da opereta homónima de Franz Lehár; depois da II Guerra Mundial, o seu prestígio ficou algo beliscado devido a alegado colaboracionismo com os ocupantes nazis; continuou a filmar regularmente no país natal e nos E.U.A. sendo de destacar “Gigi” (1958, de Vincente Minnelli),Can-Can” (1960, de Walter Lang) e “Fanny” (1961, de Joshua Logan) em 1958, foi-lhe atribuído um Óscar Honorário pelo seu meio século de contribuição para o mundo do espectáculo; do seu repertório musical, ficaram famosas as canções “Valentine” (1925), Luise” (1929) ] e “Mimi” (1932).
(Continua)


