Análises sobre a crise, olhares sobre a Europa, olhares sobre o crime que contra esta os seus dirigentes estão a cometer

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

 

1. Portugal – Por favor, quando sair desligue as luzes! – V

 

Edward Hugh

 

(continuação)

  

Sector bancário e financeiro


Os bancos portugueses continuam a estar dependentes do BCE em termos de liquidez. O nível de empréstimos atingiu um novo recorde de 60,5 mil milhões de euros em Junho, um aumento de 3% em Maio.

 

 

Ao mesmo tempo, o fluxo de crédito para o sector privado permanece limitado. Os empréstimos bancários ao sector privado caíram cerca de 4,5% face a Maio do ano anterior,  de acordo com dados do Banco de Portugal.

 

 

Também os empréstimos de cobrança difícil estão a aumentar e, especialmente, no sector da construção. A dívida de créditos de cobrança difícil, de má qualidade, que foram concedidos às famílias e às empresas portuguesas aumentou de oito por cento em Abril para quase estar a atingir 14 mil milhões, de acordo com os dados do Banco de  Portugal. Isto representa um aumento de 2 mil milhões de euros desde o início do ano.


A maior parte deste valor, cerca de  9 mil milhões, representam  dívida  das empresas , mas tem certamente tido uma boa dose de “perenização” , de ter sido contraída há muito tempo e a exposição total dos bancos portugueses aos empréstimos está a degradar-se  ainda mais– em  particular nos  construtor e nos promotores – tornando esta exposição , sem dúvida, muito maior.

 

A recessão na  construção ameaça o equilíbrio financeiro  dos bancos e os volume de Emprego



Portugal não teve um boom imobiliário como a Espanha ou a Irlanda, no entanto com uma forte construção para a  indústria do turismo que tem desempenhado um papel importante na economia portuguesa nos últimos anos, a construção representa algo como 18% do total do PIB em termos médios. De acordo com Manuel Reis Campos, Presidente da Direcção da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas – AICCOPN, o sector, que é o maior empregador do país, enfrenta uma taxa desemprego galopante e falências em série que ameaçam o reembolso de 38 mil milhões de euros em dívida para com o sector bancário agravando assim a crise de crédito e um pouco mais de austeridade.


“O sector (de construção) deve 38 mil milhões de euros aos bancos, os empréstimos podres subiram acentuadamente e mesmo muito mais do que o esperado, juntamente com as falências. Admitimos que 13.000 empresas vão entrar em falência este ano e que o sector vá perder cerca de 140.000 empregos “, disse Manuel Campos Reis aos correspondentes estrangeiros numa entrevista. “O sector não tem encomendas, não tem trabalhos, os bancos não nos financiam e o Estado não nos paga. É um desastre “, disse Reis.


Reis prevê que o país vai seguir a Grécia e a Espanha a atingir os 20% de desemprego até ao final deste ano se as coisas não mudarem – as previsões do governo referem-se a um aumento da taxa de desemprego para 15,5% este ano, com  14% no ano passado  e com uma taxa de desemprego esperada de 16% em 2013 . O desemprego estava em 15,2% corrigido das variações sazonais em Maio segundo os últimos dados do Eurostat. A construção e o sector da habitação empregavam 670.000 trabalhadores em Portugal em 2011, em comparação com 830.000 em 2008.


Segundo o Royal Institute of Chartered Surveyors European Housing Review 2012 Portugal teve uma queda  de  71% anualizada  desde o início da crise.

 


Como o afirmam, esta situação coloca Portugal exactamente atrás da Espanha, Irlanda e Grécia na liga dos construtores em recessão.

 

 

O acréscimo no preço das casas é modesto como modestamente tem estado recentemente em declínio:

 

 

Mas a recessão na construção tem sido dramática.

 

 

(continua)

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