EM COMBATE – 144 – por José Brandão

Batalhão de Artilharia 6523

GUINÉ

1973-1974

Síntese da Actividade operacional

Mobilizado no Regimento de Artilharia Ligeira 5, em Penafiel, o BArt 6523/73 chegou à Guiné em 13 de Julho de 1973.

Após a realização do IAO com as suas companhias, de 16Jul73 a 12Ago73, no CMI, em Cumeré, seguiu, em 13Ago73, para o sector de Nova Lamego, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com o BCav 3854

Em 8 Setembro 73, assumiu a responsabilidade do Sector L3, com sede em Nova Lamego e abrangendo os subsectores de Madina Mandinga, Cabuca, Canjadude e Nova Lamego.

A 2ª CArt seguiu em 13Ago73 para Cabuca, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição e render a CCav 3404, tendo assumido em 8Set73 a responsabilidade do respectivo subsector de Cabuca, cedendo um pelotão para reforço da guarnição de Madina Mandinga.

Em 20Jul74, o subsector de Piche foi integrado na sua zona de acção, após a desactivação do Sector L4.

As suas subunidades mantiveram-se sempre integradas no dispositivo e manobra do batalhão até à extinção do sector.

Desenvolveu intensa actividade operacional, orientada para realização de patrulhamentos, emboscadas, reconhecimentos ofensivos, escoltas a colunas a colunas e segurança e protecção dos itinerários e das populações. As forças intervieram e colaboraram em acções de reacção a flagelações e ataques aos aquartelamentos e aldeamentos e na promoção socioeconómica das populações.

Comandou e coordenou a execução do plano de retracção do dispositivo e desactivação e entrega dos aquartelamentos ao PAIGC, sucessivamente efectuadas nos subsectores de Madina Mandinga e Cabuca, em 20Ago74 e de Piche, em 29Ago74.

O Comando do Batalhão recolheu a Bissau em 28Ago74, a fim de aguardar o embarque de regresso, mantendo-se um pelotão da CCS em Nova Lamego até à sua desactivação e entrega ao PAIGC, em 8Set74

Em 20Ago74, efectuou a desactivação e entrega do aquartelamento de Cabuca ao PAIGC e seguiu para o subsector de Xime, na zona de acção do BCaç 4616/73, a fim de substituir transitoriamente a CCaç 12, que fora entretanto extinta onde se manteve até ser rendida pela 2ª Com/BCaç 4518/73 em 31Ago74, tendo então seguido para Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

O BArt 6523/73 é o último Batalhão de Artilharia a deixar a Guiné.

Artilharia

A Artilharia, como se pode ler em qualquer manual, é a arma dos fogos potentes, precisos, profundos e prolongados, mas na guerra de guerrilha a sua actuação foi fortemente condicionada pela dispersão dos guerrilheiros, pelo fraco rigor das cartas topográficas e pelo mau estado das vias de comunicação necessárias para o deslocamento dos materiais, quase intransitáveis pelo menos no início da guerra. À Artilharia portuguesa aconteceu algo de semelhante à Cavalaria: a maioria dos seus efectivos teve de combater como Infantaria, e apenas um núcleo reduzido efectuou acções típicas de apoio de fogos.

Na Guiné, o emprego da artilharia enquadrou-se no conceito de manobra do general Spínola, no sentido de evitar a penetração dos guerrilheiros do PAIGC pelos corredores com origem na Guiné-Conacri e no Senegal, assegurar a capacidade de actuar em qualquer ponto do território com unidades de intervenção e garantir a protecção das populações junto aos aquartelamentos portugueses.

O dispositivo da artilharia na Guiné baseou-se em pelotões a três bocas de fogo, instalados junto das companhias de caçadores e disseminados por todo o território, tendo a possibilidade de concentrar e coordenar fogos nas áreas fulcrais, possibilitando o apoio a operações, a flagelação de objectivos fronteiriços em resposta a penetrações e a acções desencadeadas a coberto da linha de fronteira e a protecção dos aquartelamentos e dos núcleos em autodefesa.

Os efectivos da artilharia na Guiné atingiram o quantitativo de 32 pelotões, com material de 8,8 cm, 10,5 cm, 11,4 cm e 14 cm, todos do tempo da II Guerra Mundial.

Faziam ainda parte do Grupo de Artilharia da Guiné três baterias de artilharia antiaérea, duas instaladas próximo de Bissau, para defesa do aeroporto, e outra com os pelotões distribuídos por Nova Lamego, Aldeia Formosa e Nhacra, este para protecção dos emissores de rádio.

(com base num texto do coronel José Faia Correia).

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