DIÁRIO DE BORDO de 10 de Agosto de 2012*

 * por Sílvio Castro, piloto em exercício durante a edição do blogue dedicada ao Centenário de nascimento de Jorge Amado.  

Observando o atual quadro de eventos brasileiros e mundiais, temos a certeza que Jorge Amado os veria com incontida participação, ainda que distinguindo entre as características da atualidade vivida pelo Brasil e aquela da comunidade internacional, em particular pelas vicissitudes porque hoje passa a Comunidade Econômica Européia, mais do que nunca reconhecíveis a partir do espaço específico de sua moeda, o Euro.

Comecemos por enquadrar as possíveis reações do grande escritor baiano em relação ao presente brasileiro. Essas, antes de tudo, seriam de euforia, num seguimento lógico de quanto ele sempre vivera em relação a uma pessoal certeza de que o Brasil, em determinado momento de sua sempre atribulada vida política, veria florescer um continuado período de progresso, verdadeira alteração daquele quadro de subdesenvolvimento sócio-econômico que lhe vinha dos seus seis séculos de história, dos quais dois enquanto uma verdadeira nação brasileira, entrada com o novo milênio na sua terceira etapa. Ficaria principalmente feliz em ver como a sociedade civil finalmente principia a viver um progresso continuado nos anos e como as perspectivas de uma sempre maior justiça social se afirme cada vez mais com o correr dos anos. Por isso sempre lutara Jorge Amado e mais ainda o esperava depois que, superada a triste fase anti-democrática vivida pelo País por vinte anos, a partir de 1964, lentamente começou a encontrar as vias novas que a sua Modernidade cultural procurara, a partir de 1922, sempre traspassar para os planos políticos e econômicos. Mas um constante subdesenvolvimento econômico, ampliado por uma carente cultura política impedira até o fim do século XX que tais metas fossem atingidas. Jorge Amado, antes de sua morte em 2001, pressentira que esses possíveis momentos positivos poderiam surgir dentro em pouco.  A partir de 2002, com o governo progressista de Lula, por ele tanto prestigiado até as suas últimas externações públicas em vida, começa a conduzir o Brasil para novas estradas, aquelas de um progresso econômico baseado na prática de concreta política social. Isso mesmo diante de momentos aberrantes de corrupção passados pelos partidos políticos, em particular pelo mesmo Partido do Trabalhador-PT, do qual o Presidente partira para a conquistas das inovações sonhadas desde sempre, e sempre impedidas pelas limitações nacionais derivadas de um crônico estado de subdesenvolvimento sócio-econômico. Contra tal inversão de valores luta o Brasil por décadas e décadas, para lentamente afirmar-se, nos dois períodos da Presidência Lula, como uma das novas forças internacionais, a mesma que passa a compor o grupo das potências mundiais emergentes formado pela China, Rússia, Ìndia e pelo mesmo Brasil, o grupo BRIC renovador das propostas políticas do quadro tradicional das potências do G7. Quando agora chegamos ao ano do centenário de nascimento do escritor baiano, a política de progresso sócio-econômico começada pelos governos Lula encontra no novo presidente do Brasil, Dilma Rousseff, a primeira mulher brasileira eleita para o cargo, uma coerente continuadora.

O mais recente plano internacional certamente teria preocupado o sempre participante Jorge Amado. Com a crise econômico-financeira partida dos USA, em 2008, ele teria praticamente sofrido, a partir principalmente de 2010, a queda brusca porque passa a economia mundial, em particular aquela da área do Euro. Um grande evento deste 2012, a eleição de François Hollande para a presidência da França, lhe teria dado uma incontida alegria, assim como acontecera quando o Partido Socialista Francês conquistara o mesmo posto com Miterrand. Hollande pode conduzir a França a guiar, neutralizando as linhas dominantes da Alemanha, sempre com a ajuda dos outros países comunitários em grave crise, como a Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, a fazer com que a economia mundial possa em poucos anos reentrar numa linha de maior equilíbrio.

Então, certamente as novas potências internacionais, em particular o atual Brasil sonhado por Jorge Amado, poderão dar, não somente à Europa, mas igualmente aos Estados Unidos da América do Norte, uma linha condutora capaz de equilibrar as excessivas pretensões do mercado liberista, a favor de uma sempre crescente política social espalhada por todo o mundo.

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