TRABALHO, CONSUMO E ALIENAÇÃO, A MAIS-VALIA EM MARX – por Raúl Iturra

A temática da alienação está presente historicamente no pensamento europeu nos campos do direito, economia, filosofia e se vê de alguma forma completada pela teoria da alienação construída por Marx. Presente inicialmente na mitologia judaico-cristã, aparece como um conceito religioso referido à alienação do homem em relação à Deus, colocando a questão da salvação do homem desse estado que atraiu para si.

 O cristianismo e o judaísmo apresentam diferentes soluções para esse problema, que parecem acompanhar as necessidades simbólicas da transição do feudalismo para o capitalismo. Tal problemática foi discutida por Marx em 1843, na obra Sobre a Questão Judaica.

 

Para se manter dentro da História, todo ser humano precisa de consumir bens, sejam estes de agasalho, de abrigo, ou de alimentação. Para poder consumir, é necessário produzir esses bens de diversa qualidade e em diversas quantidades. Todo o ser humano sabe, especialmente os economistas ou os cientistas sociais. Este consumo é de bens produzidos pela própria pessoa, ou por outros, por causa do tempo necessário para investir na sua produção, apuramento, colheita e distribuição. A consequência é simples: todo ser humano precisa de viver em interação e ter meios para adquirir os bens que consome e não produz, bem como de uma entrada, em moeda, para adquirir os que outros fazem e ele precisa. Normalmente, nas sociedades industriais, é o operariado que se habilita a esta produção, usando meios que não são da sua propriedade ou não inventados por si. Porque a produção não é apenas de bens materiais, é também de ideias que orientem essa produção ou processo educativo, quer entre iguais, quer em instituições. Esta aprendizagem, prévia à produção, é organizada pelos Estados que decidem o que é preciso saber para se ter uma população dentro da distribuição social do trabalho. A produção começa com a alimentação da criança, continua pela sua formação, e passa pela sua habilitação para determinados trabalhos. Estes trabalhos são remunerados conforme as horas aplicadas à transformação da natureza em ideias e em bens económicos. Normalmente, os bens têm um tempo de trabalho necessário para a sua produção, mas o produtor trabalha mais horas do que as necessárias para criar bens em quantidade necessária para satisfazer as necessidades de consumo de uma população, e devolver o capital adiantado pelo proprietário dos instrumentos de trabalhos, ou das patentes das invenções de ideias para produzir melhor, de forma mais competente e em concorrência com outros produtores. Da mesma linha, ou de linhas diferentes de fabrico de bens para o consumo, mas que usam o mesmo mercado para colocar os seus produtos. Essas horas a mais são a mais-valia de que se fala. Os que não trabalham nesta linha vivem da mais-valia produzida pelos produtores, ou mão-de-obra, de uma Nação, País, União de Países, ou grupo social que partilha o mesmo espaço geográfico e a mesma cultura, o que é dizer, a mesma necessidade de consumo. É desta mais-valia que vive toda a população e que dá lucros ao possuidor, por Lei, das técnicas de fabrico de recursos para se estar dentro da História.

É destas ideias que tratam os autores centrais para este capítulo: Karl Marx, que define o conceito de mais-valia, enquanto critica os economistas da sua época, especialmente Adam Smith e François Quesnay; o problema é que o conceito não se define apenas num texto. Ele é o resultado de um longo argumento sobre o valor do trabalho, que define como o tempo gasto no fabrico de um bem por um indivíduo, ou a qualificação para ensinar, ou, ainda, o tempo investido e a energia gasta ou valor denominado abstrato.[1] A ideia de associar a teoria do valor e a mais-valia retirada, começa cedo no pensamento do autor. Especialmente associada à alienação do produto do trabalho por lhe ser retirada a confeição do bem, recebendo, em troca, um salário inferior à quantidade de bens que prepara[2]. De facto, as definições dos escritos económicos e filosóficos são mais tarde usados nos textos indicados em nota de rodapé: Contribuição à Crítica da Economia Política ou Grundisse, e no Vol. 1 do Capital.

Os conceitos de valor e de alienação são centrais para entender o contributo de Marcel Mauss que, baseado nas teorias de Karl Marx, analisa como esta produção acontece em sítios onde não há Direito escrito, e em sítios onde o Direito é parte da sabedoria de vários. Especialmente a análise feita nos ensaios de Rubin, que distingue entre valor concreto e valor abstrato ou uma forma de retirar mais valia quer da fisiologia, quer da ingenuidade do produtor.Marx ascertained that changes in the magnitude of value of commodities depended on changes in the quantity of labour expended on their production, he did not have in mind the individual labour which was factually expended by a given producer on the production of the given commodity, but on the average quantity of labour necessary for the production of the given product, at a given level of development of productive forces.


[1] Marx, Karl, 1867: Capital, Website http://csf.edu/psn/marx/Arcive/1867-C1/Part0/p1.htm bem como no texto prévio de 1859: A Contribution to the Critique to the Criqiue f Political Economy em http://www.marxists.org/archive/marx/works/1859/critique-pol-economy/index.htm , e na correspondência com Engels: http://www.marxists.org/archive/marx/works/1858/letters/58_04_02.htm. A melhor análise é Rubin, Isaak Illich, 1972: Essays on Marx’s Theory of Value, em http://www.marvist.org/subject/economy/rubin/

[2] Marx, Karl, 1844: Economic and philosophical manuscripts, analisados por Mészáros, István, 1970:Marx’s Theory of Alienation em  http://www.marxists.org/archive/meszaros/works/alien/

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