VAMOS AO CINEMA – “Capitães da Areia”

Cidade de Saalvador, Bahia-de-Todos-os-Santos.

Um bando de rapzes abandonados incomoda a sociedade. São chamados “Capitães da Areia”, porque o cais é o seu quartel general. Vivem de pequenos furtos e de assaltos, lutam duramente pela existência. Pedro Bala, o temido líder dos Capitães da Areia, é perseguido como o pior dos bandidos, mas, na verdade não passa de um adolescente livre nas ruas. Ele é o herói de quase uma centena de jovens vagabundos, que juntos vivem aventuras e desventuras… Hoje vamos ao cinema, ma não para ver um filme – hoje vamos falar sobre um filme. Não nos foi possível dispor do vídeo de Capitães da Areia, realizado em 2011 pela cineasta Cecília Amado com guião baseado na obra homónima de Jorge Amado, seu avô. É um filme interessante e não vamos colocar a dicotomia «romance-filme». Digamos que o filme reacende imagens que dormiam na nossa memória – e esse já não é um mérito pequeno.

Desde 1937, vai para oito décadas, que o romance entusiasma sucessivas gerações de adolescentes. Os adolescentes sentem-se sempre prisioneiros, vítimas de uma injusta ordem de valores que os não deixa fazer o que entendem. Pois no seu romance, Jorge Amado, criou um universo em que um grupo de adolescentes abandonados dita as suas leis, segundo uma ética própria. Cecília Amado, tendo compreendido o manifesto que, há 75 anos, um jovem de vinte e poucos anos, proclamou – contra a injustiça social e contra a repressão política, privilegiou a face humanística da obra, mais de acordo com o avô calmo e bonacheirão que conheceu. Mas vamos ouvi-la:

E agora vejamos o trailer do filme. Ver o filme, reler o livro, ambas as coisas… Não será o livro mais bem escrito de Jorge Amado, mas é um dos mais belos. Na verdade, a história de Pedro Bala, Dora, Professor, Sem Pernas, Gato, tem mais a ver com todos nós do que parece.

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