DIÁRIO DE BORDO, 12 de Agosto de 2012

 

O governo português continua a sua marcha imparável para o abismo. Agora prepara a venda da RTP II, talvez (quase de certeza) um tiro de ensaio para a venda da RTP I. José Manuel Pureza, ontem, no Diário de Notícias, salientou muito bem que os motivos desta alienação, são políticos, não económicos. Entretanto, parece mais avançada a venda da TAP (parece que ainda há quem use o termo privatização). Diário de Bordo opina (também temos o direito de o fazer, no meio de tantos) que, também neste caso, os motivos também são mais políticos do que económicos. Mas perguntarão alguns, motivos políticos como?

As vendas destas empresas trarão algum dinheiro ao estado, claro. Mesmo somando àquelas duas a ANA (empresa perfeitamente rentável, cuja venda será, a prazo, altamente prejudicial para as contas do estado), os estaleiros de Viana do Castelo (cuja venda parece que vai ser feita por ajuste directo, num negócio de contornos desconhecidos do grande público) e outras de que de momento Diário de Bordo não se recorda, os proveitos nunca chegarão sequer para equilibrar a diminuição de receitas resultante do afrouxamento da actividade económica. Na realidade, o que está em curso é uma concentração de poderes cada vez maior nas mãos de alguns potentados, que está a ser feita de maneira a ser tornada irreversível. Dirão, mas então entre esses potentados não estão empresas públicas alemãs, da República Popular da China, a família de José Eduardo dos Santos (será ditador em Angola, mas privado em Portugal), sultões do Qatar, Bahrein, resumindo, defensores de variadas ideologias, feudal, capitalista de estado, conservadores, sociais-democratas (alguns dizem que o são, desculpem lá)? É verdade, mas todos eles jogam na bolsa. São os neoliberais, que nos querem convencer que não existem como tais. Deve ser porque acham, como alguns antigos, que quando não se lhes pronuncia o nome, estão mais seguros.

A venda da RTP visa concentrar a informação nas mãos desses senhores que não existem. A da TAP vai permitir-lhes reforçar o controlo sobre rotas aéreas entre a Europa e a África e a América do Sul. Bem podem alguns elementos próximos do governo vir propor ressalvas à privatização da segunda, de um modo que quase nos faria rir se não se tratasse de um caso tão grave, de que o comando da companhia deve ficar em Lisboa. É claro para quem não está a dormir que o comando da companhia até poderá ficar em Portugal, mas que muito provavelmente as decisões futuras não levarão em conta os interesses portugueses.

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