CARTA DE VENEZA – 20 BIS – “A 3°. Amarga Medalha Olímpica de Prata do Futebol Brasileiro – Olimpíades de Londres-2012“ – por Sílvio Castro

A história do futubol brasileiro apresenta etapas de longas esperas por um título absoluto, mas nenhuma leva tanto tempo quando aquela referente à Seleção olímpica nacional nas diversas edições dos Jogos até a atual de Londres-2012.

A história do futebol brasileiro começa em 1894 quando um jovem brasileiro de ascendência inglesa, Charles Miller, de Sâo Paulo, de volta de seus estudos na Europa, traz consigo as primeiras bolas com que se praticava o “football association” na Inglaterra, berço do novo esporte que começava a correr mundos.

Inicialmente, o futebol era praticado somente em São Paulo e no Rio de Janeiro, por jovens da aristocracia de ambas as cidades. As jvuventudes paulista e carioca se desenvolvem no conhecimento do esporte bretão principalmente fazendo experiência em confrontos com ingleses trabalhadores de passagem ou membros de associações de língua inglesa das duas cidades. Os matchs (nesses primeiros tempos tudo o que se referia ao football devia usar a terminologia em inglês) eram amistosos, pois ainda não fora possível organizar um calendário de disputas previamente programadas.

Enquanto no ambiente paulistano a prática futebolística aumenta sempre, no Rio somente com o iníicio do século XX assistem-se a encontros entre os primeiros praticantes. Em 1901, Oscar Cox, um dos muitos estudantes de universidades inglesas,  organiza jogos e tenta a estruturação de um club. De consequência, no dia 1 de agosto de 1901, no campo do Rio Cricket, de Niterói, especialmente adaptado para uma partida de futebol, o team de Cox joga contra uma equipe de ingleses. Trata-se do primeiro jogo de brasilieros do Rio e a estréia não poderia ser mais feliz, pois os brasileiros saem vitoriosos, por 1×0. O autor do goal da primeira vitória brasileira contra estrangeiros, no Brasil, foi o jovem insider-left Júlio Morais.

Neste mesmo 1901 acentua-se o progresso da prática do futebol nos dois centros brasileiros originários, tendência que vem definida quando, aos 19 de outubro daquele 1901 pela primeira vez se encontram esquadras representativas do Rio e de São. Já então a duas esquadras tinham um devido nome: São Paulo Scratch Team e Rio Team. Resultado final, um empate por 2X2. O ponta esquerda carioca Felix Frias entrou para a história por ter marcado o primeiro gol em jogos entre paulistas e cariocas.

Daí por diante o progresso é constante. Já em 1902 funda-se oficialmente o primeiro clube de futebol, o Rio Football Club, por João Ferreira, isto no dia 12 e julho de 1902. No mesmo ano, dia dia 21 de julho, Oscar Cox funda o Fluminense F.C.

Neste mesmo ano de 1902, em São Paulo inicia-se um campionato regular. O vencedor deste primeiro campionato foi o São Paulo Atletic.

Em 1905 os clubes cariocas se organizam em uma Liga, a Liga Metropolitana de Futebol. No ano seguinte realiza-se o primeiro campionato do Distrito Federal. O primeiro jogo deste campionato realizou-se no dia 3 de maio, e via em competição o Fluminense e o Paysandú. Com a vitória do Fluminense por 7X1. O primeiro goleador em campionato do Rio foi então o atacante do Fluminense, Horácio da Costa Santos.

Com o progresso da prática do novo esporte nas duas principais capitais brasileiras, começam naturalmente as competições inter-estaduais que logo em seguida são transformadas num grande Campionato Brasileiro.

No Campionato brasileiro que vem inaugurado em 1923, tendo os paulistas conquistados o primeiro título, a hegemonia do eixo São Paulo-Rio continua. Somente em 1934 tal situação sofre modificação, com a vitória da seleção baiana. Era o início do florescimento do futebol por todos os Estados do país, em particular, além, da Bahia, em Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul.

                   Desde o início do Novecentos começara a grande época de encontros de times brasileiros contra aqueles estrangeiros. História que lentamente fará ver uma nova maneira de praticar o esporte inventado pelos ingleses no final da primeira metade do século anterior. Entre essas partidas de brasileiros no exterior, remarcável é a excurção que o clube paullista, o Paulistano. realiza em 1918, logo após o fim da terrível I Grande Guerra Mundial, na Europa, a partir da França. Nesta excurção salienta-se a figura de um dos grandes craques da história do futebol brasileiro de todos os tempos, o centro-avante Friedenreich, já vencedor, com a seleção nacional, da Copa Roca, 1914, contra os argentinos.

                   As disputas internacionais do Brasil se acentuam e com elas começam a aparecer os primeiros títulos conquistados: Campeão sul-americano de 1919, 3ª. edição do dito certame, organizada neste ano pela Argentina. Conquista logo repetida em 1922, o ano da Independência do Brasil.

                   Começa então o ciclo mais ambicioso do futebol brasileiro, aquele de participante no Campionato do Mundo. Tudo começa em 1930, em Montevidéu, com uma seleção brasileira ainda muito tímida. Prosseguindo, porém, naquela presença que faz da Seleção a ser a única representantiva nacional a participar em todas as edições da Copa do Mundo de Futebol, de 1930 a 2010 (na expectativa daquela edição que será de certa forma a coroação de uma tal constante, a Copa de 2014 em terras brasileiras). Assim, da primeira já saliente presença na edição de 1934, na Itália, vai-se aprimorando sempre mais com a brilhante seleção de 1938, na França, quando sobressaem as figuras do centro-médio Domingos da Guia e do centro-avante Leonidas da Silva. Com a triste história da II Grande Guerra, o Campionato do Mundo se interrompe; a Copa Jules Rimet vem colocada momentaneamente em repouso. Tudo recomeça com a festosa edição de 1950, em campos brasileiros. Já então o Brasil demonstrava de aspirar decididamente pelo seu primeiro título mundial. Mas, depois de uma série de vitórias de grande beleza, a seleção cai diante do Uruguai, 2X1, no espaço imenso do Estádio do Maracanã, superlotado por 210 mil expectadores. Tudo deve ser adiado. Espera-se a edição de 1954, na Suiça. Nela a Seleção dirigida pelo técnico Zezé Moreira apresenta-se inteiramente renovada, principalmente no seu aspecto técnico-tático. Os laterais Djalma Santos e Nilton Santos pela primeira vez se apresentam numa mobilidade tal que consentem ao time brasileiro de jogar compactamente como uma esquadra que se defende em 10 e em 10 igualmente ataca. A grande experiência tem de esperar novos tempos, quando enfrenta a famosa e bela esquadra da Hungria de Puskas, diante da qual perde por 4X2. Mas as raízes de um novo Brasil, ansioso pelo seu primeiro título mundial, estavam lançadas. Assim, em 1958, na Suécia, a conquista finalmente acontece como uma realidade desde há muiito cortejada. Com uma nova mentalida tática, o vitorioso sistema do “4, 2, 4” criado por Vicente Feola e concretizado por craques como os dois laterais Santos, o ponta-esquerda Zagalo, e mais os legendários craques Garrincha, Didi, Pelé. O título de 58 vem confirmado no Chile em 1962. Depois de uma parêntese menor em 1966, na Inglaterra, o Brasil conquista definitivamente a Copa Jules Rimet em 1970, no seu extraordinário campionato jogado no Méxixo. A história de grandes vitórias mundiais se alargam até chegar à conquista única entre todas as seleções nacionais de penta-campeão do mundo.

Faltava somente superar a falta de uma medalha de ouro numa competição olímpica. Até quando, no dia 11 de agosto de 2012, na edição muito exemplar das Olímpiades de Londres, o Brasil enfrenta o México numa nova final depois daquelas duas anteriores quando os jovens craques brasileiros não conseguem superar final a França e a Rússia. Agora parecia que todos os requisitos indispensáveis à conquista do ouro se apresentava: até então a Seleção se comportara com marcante positividade, vencendo todas as partidas, até a final, marcando três gols. O que demonstrava a existência de um ótimo ataque, mas a isso não correspondia a defesa, sempre mais indecisa que decidida, ainda que sob o comando do maior defensor mundial dos tempos atuais, o craque Thiago Silva. Tal indecisão já fora notada em maneira marcante na partida contra Honduras, vencida com sofrimento por 3X2. Diante de tantas notas negativas, esperava-se que o técnico Mano Menezes encontra-se as devidas correções. O México se apresentava com boas credenciais, Principalmente porque o seu onze era constituido por jogadores que cresceram juntos nas disputas internacionais, vencedores que foram e por duas vezes do título mundial do campionato under-17, bem bem do título de campeões pan-americano em 2011.

O selecionador brasileiro não soube controlar o ritmo da equipe sob a sua guia. Começada a partida, na primeira descida do time mexicano, isto quando nem mesmo o primeiro minuto do jogo se esgotara, o lateral direito Rafael se deixa facilmente dominar pelo ataque do forte atacante mexicano Peralta, o mesmo que marcará o segundo da vitória consagradora para a sua nacional. Mais uma vez a defesa brasileira demonstrava a sua deficiente estrutura. Isto aumentado pela desunião reinante entre o meio do campo e o ataque. Assim, o México, pleno de entusiasmo e sempre maiores certezas, defende com grande consciência tática as incurções apenas individualistas dos brasileiros, contra-atacando igualmente com grande sabedoria.

O ouro mexicano se concretiza numa conquista absolutamente inédita. Era a vitória de uma política esportiva nacional de assistência direta aos seus jovens talentos. Coisa que praticamente não acontece no Brasil, aonde o crescimento dos milhores e milhares de praticantes de futebol se faz em modo expontâneo, deixado a soluções pessoais. O grande talento natural do jogador brasileiro tem escondido até agora uma deficiência que a final da Olímpíade de Londres revelou sem nenhuma restrição. Tudo sob o olhar inexpressivo do selecionador Mano Menezes, o mesmo que conduziu a Seleção brasileira a colocar-se  atualmente e pela primeira vez na história das estatísticas mundiais elaboradas pela FIFA fora do grupo das dez mais representativas nos vários continentes. Surpreendendo, sem respostas, o inteiro mundo esportivo internacional.

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