DIÁRIO DE BORDO, 20 de Agosto de 2012

 

Julian Assange continua nas primeiras páginas, nos telejornais. Sem dúvida que constitui um problema para muita gente. Meteu-se em sarilhos na Suécia, ao que dizem umas boas almas que lhe recomendam que vá pacatamente para a Suécia defender-se. Ele recusa-se, e diz que o que querem é extraditá-lo para os EUA, que estão  ansiosos para lhe porem as mãos em cima.

Qualquer pessoa minimamente informada percebe que estamos perante mais um caso de tentativa de imputação de crimes do âmbito do direito comum para dissimular a perseguição política. Leiam o que disse Paul Craig Roberts no seu blogue (ver A Viagem dos Argonautas no sábado passado, O Presidente do Equador Enfrenta a Brutal Gestapo Britânica). Craig Roberts conhece muito bem a matéria, ele que chegou a ser membro do Governo dos EUA. A análise que faz do caso é lapidar: Assange foi apanhado numa armadilha. Tendo sido considerado inocente uma vez de uma acusação muito estranha, recorreram a um expediente para dar uma face legal à perseguição que lhe fazem. Os governos sueco e inglês claramente estão envolvidos nela.

Alguns jornalistas, com boas ou más intenções, repetem a versão de que Assange quer é fugir às acusações de assédio e violação. Diário de Bordo levanta uma questão: não será que estão melindrados com o Wikileaks e com o seu fundador, por causa das notícias que divulgaram? Muitas delas, se o jornalismo de investigação fosse mais praticado, já teriam vindo a público há mais tempo, antes da acção da Wikileaks. A transparência na política internacional e nacional não é grande (para usar um eufemismo), com grande prejuízo para os povos que são vítimas de conluios e de prepotências, de que só se apercebem quando lhes sentem os efeitos, muitas vezes desastrosos. A paz e a democracia precisam dessa transparência, que deve ser assegurada por uma informação credível e completa o mais que possível. O Wikileaks deu para isso um contributo claro. As aventuras militares ocorridas nos últimos anos têm sido desmascaradas perante muita gente, em boa parte graças à sua acção. Também os fautores da crise financeira sentiram problemas porque temeram ver os seus segredos expostos.

Claro que Assange e o Wikileaks também têm os seus defeitos e os seus limites. É necessário lutar pela transparência e não por novos heróis. Mas o facto é que tem de se apoiar quem consegue ajudar a compreender o que há por detrás das guerras e das crises. É preciso fazê-lo todos os dias. Não esquecer que Bradley Manning continua preso.

 

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