A DETERMINAÇÂO DA TAXA LIBOR – PARTE I. Por Satyajit Das – III

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

SÉRIE BANCA – 11
(CONTINUAÇÃO)

Estragos…

Enquanto não há qualquer dúvida que foram apresentadas propostas de taxas incorrectas, os efeitos por elas provocados são muito mais difíceis de calcular. Uma única proposta, alta ou baixa, seria eliminada do cálculo.

O conluio entre os bancos poderia, esse sim, afectar o cálculo da taxa Libor. O relatório da FSA sugere que o Barclays trabalhou conjuntamente com outros bancos. Nos registos do Tribunal, o organismo Competition Bureau do Canada divulgou que um banco terá confessado a sua participação num conluio para manipular LIBOR para alterar  o preço dos derivados  a nível global  e nesse conclui estavam  envolvido   altos quadros  do HSBC, Deutsche Bank, JPMorgan, RBS e Citigroup, bem como um corretor  no mercado monetário, um alto quadro de  ICAP.

Mesmo no quadro de ausência de conluio, as pequenas variações nas propostas enviadas para o cálculo da LIBOR podem afectar o conjunto das taxas LIBOR. Propondo taxas muito baixas ou muito altas pode garantir que a proposta feita pelo banco seja excluída, permitindo que outras taxas estejam a ser incluídas no cálculo. Se um banco propõe taxas muito baixas, então, como resultado assegura-se que as taxas mais baixas podem ser incluídas no cálculo diminuindo então a sua média. Da mesma forma, propondo taxas muito altas leva à inclusão de taxas altas o que pode levar à subida da taxa média resultante do fixing.

A capacidade de manipular os preços depende do número de bancos que estão no painel e da dispersão das propostas feitas. Um pequeno painel faz com que a taxa seja mais fácil de manipular. Sempre que as propostas apresentadas estão muito dispersas é então mais fácil influenciar o resultado final, mesmo sem qualquer conluio. As diferenças entre as taxas em torno do ponto de corte para a inclusão são críticas. É útil saber o que são as propostas individuais enviadas, embora a cotação do dia anterior possa fornecer uma boa aproximação.

Quadro 1 mostra um exemplo que ilustra como é que a a determinação das taxas pode ser afectada.

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Quadro 1
Efeitos de propostas com o objectivo de manipulação
No exemplo seguinte, assuma – se que os valores propostos são os seguintes:
Coluna de valores 1 são as  propostas iniciais apresentadas pelos bancos
Coluna de valores 2  – Banco 5 manipula a determinação da Libor aumentando a sua proposta para a determinação da Libor .
Coluna de valores 3 – Banco 5 manipula fazendo decrescer a sua proposta para o cálculo da Libor.

Em todos os casos, os valores de topo e os valores inferiores, são 3 as propostas que são ignoradas (25% do total em cada caso) e em que a taxa LIBOR é pois determinada pela média aritmética das restantes 6 propostas de taxas para a determinação da Libor.

As diferenças são dadas em percentagem e em quantidades de dólares calculadas para o ano inteiro a taxas anualizadas e para os valores indicados toma-se como principal 1 milhar de milhões de dólares.

No primeiro caso, a dispersão é de dois pontos base entra a taxa mais alta e a taxa mais baixa proposta que aqui são assumidas.

 

Se a dispersão diminui (aumenta) o efeito sobre a Libor similarmente diminui ou aumenta. Os quadros seguintes assumem uma dispersão de 0,5 pontos base entre os valores extremos e de 5 pontos base, respectivamente.

(continua)

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