EM COMBATE – 156 – por José Brandão

Operação Águia

O ataque do grupo de guerrilheiros da Frelimo, em 25 de Setembro de 1964, ao posto administrativo do Chai, no distrito de Cabo Delgado, é celebrado como data oficial do início da luta armada em Moçambique Embora acções violentas dos nacionalistas moçambicanos tenham ocorrido anteriormente, é a partir desse momento que a luta alastra a todo o Norte do território.

A resposta das forças portuguesas a esta situação foi idêntica à que haviam experimentado em Angola e na Guiné: criação de uma malha de forças de quadrícula, que podia ser apertada à medida das necessidades, instalando batalhões e companhias em pontos-chave, e realização de acções de controlo de populações, de patrulhas para garantir a segurança das vias de comunicação e de operações ofensivas com o objectivo de destruir as bases dos grupos de guerrilheiros.

O dispositivo militar na zona de Cabo Delgado centrou-se em Mueda, capital tradicional do planalto dos Macondes, que é o ponto de convergência de todas as grandes vias de comunicação:

– da estrada que liga o planalto ao mar, vinda de Mocímboa da Praia;

– ao norte, para a Tanzânia, através de Mocímboa do Rovuma;

– ao sul, em direcção a Montepuez e a Pemba (Porto Amélia);

– e ao interior do planalto, para Nangolo e Muidumbe.

Quando o dispositivo inicial passou, em qualquer dos teatros de operações, a garantir o suporte logístico mínimo às forças portuguesas, estas planearam e levaram a efeito uma grande operação convencional destinada a eliminar as bases da guerrilha e a demonstrar às populações a superioridade portuguesa.

Enquanto, em Angola, esta acção inicial recebeu o nome de Operação Viriato e se destinou a reocupar o Norte, na Guiné se chamou Operação Tridente, sendo efectuada com o objectivo de recuperar a ilha do Como, em Moçambique, a grande operação de partida recebeu o nome de Águia e pretendeu eliminar a guerrilha do Planalto dos Macondes. Teve início em 2 de Julho de 1965.

Para a Operação Águia foi constituído o agrupamento 23, formado por dois batalhões de caçadores, o BCaç 558 e o (Batalhão de Caçadores de Nampula) e por uma bateria de artilharia de 8,8 mm.

A missão das forças era, como constava ordem de operações, «realizar uma nomadização contínua no tempo e tão vasta quanto possível no espaço» na área entre os rios Rovuma e Messalo, e «desenvolver uma actividade destinada simultaneamente a exercer uma acção de presença junto das populações, destruir os elementos armados que entre elas se acoitam, destruir instalações caracteristicamente terroristas, furtando assim aos bandos inimigos todo o apoio por parte das populações, comprometidas ou não».

A Operação Águia desenrolou-se em moldes semelhantes à Operação Tridente: uma fase inicial com o máximo de efectivos disponíveis em acções ofensivas e ocupação de pontos importantes, com a constituição de bases operacionais, seguida de acções em superfície, realizadas em permanência por unidades de menores efectivos, e finalmente a ocupação permanente da zona por unidades de quadrícula. Esta seria, aliás, uma modalidade de acção usada com frequência pelas forças portuguesas sempre que o inimigo não dispunha de capacidade para se superiorizar a essas unidades.

Como constou do relatório da operação, os guerrilheiros procuraram inicialmente, «a todo o custo, dificultar a nossa acção, o que é patenteado pelo número de emboscadas e de acções de flagelação às nossas colunas: em 1 de Julho, ataque à base de Miteda; em 2 de Julho, duas emboscadas; em 3 de Julho, «ataque à base de Muatide e duas emboscadas; e em 8 de Julho, uma emboscada», acções que provocaram quatro mortos e dezoito feridos nas forças portuguesas.

Em 8 de Julho, estas desencadearam uma acção de bombardeamento com artilharia e aviação sobre o triângulo Miteda-Nangololo-Muatide, acompanhada de emboscadas sobre as prováveis linhas de retirada dos guerrilheiros.

Em 12 de Julho, foi alvejado um avião Auster; nos dias 14, 16, 17, 18 e 20,21, 22, 29 e 30 do mesmo mês, colunas portuguesas foram emboscadas e, a 31, os guerrilheiros fizeram accionar forte carga de trotil comandada à distância. Os militares portugueses sofreram mais seis mortos e vinte e sete feridos.

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