CARTA DE VENEZA – “A crise financeira em 2012 e o mercado de obras de arte “ – por Sílvio Castro

 

Mais uma vez se confirma que, em tempos de crise econômico-financeira,  os objetos de arte, em parcular a pintura, tornam-se bens de refúgio de grandes procuras. É o fenômeno que podemos verificar com o movimento de venda através de leilões públicos no primeiro semestre de um 2012 que viu acentuar-se a crise financeira mundial desencadeada desde a formidável crise imobiliária dos USA,  a partir de 2009, depois propagada nos vários continentes, principalmente na Europa.

Os seis primeiros meses do presente ano assistiram a uma aceleração de crise nos diversos setores do mercado financeiro internacional de tal natureza que países como a Grécia, Chipro, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália sentiram  uma forte inversão negativa nas respecticas economias nacionais, ao ponto de terem de sacrificar de terem de sacrificar profundamente as correspondentes sociedades civis. Alguns desses países sofreram  perdas que logo exigiram a intervenção direta da BCE, o Banco Comunitário Europeu;  outros, como a Epanha e a Itália, mesmo procurando soluções próprias, não permaneram isentas de intervenções por parte dos órgãos da Comunidade Ruropéia.

 A corrida geral dos capitais privados proucurou então os meios melhores para neles refugiarem-se. Dentre esses, os leilões de arte das maiores casas internacionais do setor, como as sedes da Sotheby’s de Nova Iorque e de Londres, bem como a Christie’s de Nova Iorque, realizaram vendas que logo assumiram posições de relevo na alvoroçada história do correspondente mercado.

 O recorde de tais eventos se verificou com o surpreendente resultado do leilão da Sotheby’s da maior metróipole estadunidense, do dia 2 de maio de 2012, quando se assistiu à venda de um quadro de um pintor moderno que supera o anterior primado de Picasso. Mais uma vez se confirma que em momentos como o atual, são os grandes nomes históricos a provoarem as maiores vendas. Tal fenômeno podemos comprovar analisando as cifras alcançadas pelos dez quadros mais valiosos nos leilões do primeiro semestre de 2012.

1) “O Grito” – 1895 – de Edvard Munch, vendido por 119.922.500 dólares no leilão da Sotheby’s, N.I., no dia 2 de maio. O magnífico e histórico quadro, marco inicial do movimento expressionista nas artes plásticas esta beleceu assim um novo recorde de venda em relação a uma obra de artista moderno. O comprador recordista permanece até agora num mistério. Alguns tendem a acreditar que se trata do milionário de nacionalidade estadunidense, Leon Black; outros defendem a tese que o comprador foi a família real do Qatar. Seja um, seja o outro, ambos revelam uma interessante predisposição de adquirentes de obra de arte que privilegiam a perspectiva da valorização da obra assumida pela sua história no movimento das arter modernas. Isto se transforma imediatamente numa nova perspectiva de mercado.

 2) O resultado dos leilões desse primeiro semestre trazem outras interessantes afirmações. Entre modernos e contemporâneos se colocam as principais vendas. Para os contemporâneos, nesta lista dos dez mais vendidos, fulgurantemente aparecem Rotko, 2° lugar, e Klein, 7° e 8°; enquanto que o moderno Miró ocupa o 6° posto nas grandes vendas atuais. Porém também entre os antigos aparece um nome de notável apeal: Constab le, sétimo colocado na grande corrida.

 3) Então podemos apresentar o quadro sintéticos das dez maiores vendas de obras de arte no primeiro semestre de 2012:

1° lugar: Munch, “O grito”, de 1895 (vendido a 2/5/2012 pela Sothby’s de N.I; valor da venda: USA$ 119.922.500).

2° lugar: Marak Rotko, “Orange, Red, Yellow”, 1961 (Christie’s de N.I, 8 de maio de 2012, valor: $ 86.882.500).

3° lugar: Francis Bacon, “Figure writting reflected mirror”, 1976 (Sotheby’s, N.I., 9 de maio, $ 44.882.500).

4° lugar: Roy Lichtenstein, “Sleeping girl”, 1964 ( Sotheby’s, N.I., 9 de maio,  $ 44.882.500).

5° lugar: Andy Warhol, “Double Elvis (Ferus type), 1963 (Sotheb’s, N.I., 9 de maior, $ 37.842.500.

6° lugar: Joan Miró, “Pintura (Estrela azul) – 1927 (Sotheby’s, Londres, 19 de junho, $ 36.946.396).

7° lugar: Yves Klein, “Le rose du bleu”, 1960 (Christie’s, Londres, 27 de junho, $ 36.779. 111).

8° lugar: Klein, “FC1 (Fire color 1), 1962 (Christie’s, N..I., 8 de maio, $ 36.482.500).

9° lugar: John Constable, “The lochk” – 1824 (Christie’s, Londres, 3 de julho, $ 35.210.321).

10° lugar: Francis Bacon, “Self portrait n. 1”, 1964 (Christie’s, Londres, 27 de junho, $ 33.632.135).

Os resultados finais das vendas no mercado de arte neste primeiro semester de um ano de forte crise, revelou uma outra grande tendência do mercado específico: além dos grandes nomes europeus e americanos, os grandes coleconistas demonstram uma tendência nova voltada para os mercados dos países emeargentes. Nesta tendência, o Brasil certamente oferecerá uma ambiente para grandes expectativas, quando artistas modernos e contemporâneos como Portinari, Djanira, Di Cavalcanti, a pintura naif de Maria Lacerda e tantos outros serão metas de grande interesse.                                    

 

Leave a Reply