Primeiro dia
Há mais ou menos uma vintena de anos, com a Helena, o Carlos Loures e a Célia, minha mulher, pisei pela primeira vez solo turco. Visitámos Istambul, navegámos no Estreito curvilíneo do Bósforo, olhando a entrada do Mar Negro e pusemos o pé no continente asiático, na Anatólia, regressando à Istambul europeia. Ficou a vontade de viajar pela Anatólia turca, que constitui 93% do território da Turquia.
Os anos e outras viagens se passaram e por fim, chegado 2010, houve a oportunidade de concretizar a vontade há muito manifestada. Desta vez, para além da Célia, a viagem teve a companhia familiar dos meus compadres Maria Fernanda e Luís Azevedo.
Saímos ao início da tarde de um Domingo, com destino ao Aeroporto Atatürk, em Istambul, num voo da Turkish Airlines, companhia esta em que ficámos a confiar aquando da 1.ª viagem que nela fizemos, entre Istambul e Milão. Aqui chegados, foi uma correria para apanhar o voo doméstico que nos levaria a Izmir, que conhecemos mais pelo nome de Esmirna. É a terceira cidade da Turquia, situada na rica região Egeia (berço de várias civilizações), com mais de 3 milhões de habitantes e o porto mais importante do país depois de Istambul.
Cidade que é virada para o Mar Egeu, e para a Grécia, com belíssimas praias e óptimas temperaturas no Verão, tornam-na uma cidade turística por excelência. Habitada por gregos, judeus e arménios antes da Guerra da Independência Turca, guerra esta que levou os gregos a regressarem ou a fixarem-se na Grécia, tornando Izmir uma cidade predominantemente habitada por turcos, embora tendo, com 2.500 pessoas, a segunda maior comunidade de judeus da Turquia, logo a seguir a Istambul. Apesar do pouco tempo passado em Izmir, sentimo-nos ali como em qualquer cidade europeia.
Sabemos ser uma região rica em arqueologia, desde a muralha jónica, templos, aquedutos, ou seja, demonstrações claras das civilizações grega e romana, como mostram os seus museus. Naturalmente mais recente, mas já significativa, é a arquitectura otomana, o que se comprova pelas várias mesquitas construídas a partir do século XVII.
Fotografia de L. Azevedo (em movimento)
Na aproximação à cidade, no autocarro em que viajamos, logo a guia nos chama a atenção para o busto de Atatürk esculpido no monte – foto acima – e com um enorme bairro clandestino na respectiva colina.
Foi estabelecida, segundo Heródoto de Halicarnasso, pelos eólios, sendo logo de seguida conquistada pelos Jónicos, transformando-se em um dos maiores centros culturais e comerciais do mundo. Na divulgação história turca para turista/viajante, diz-se que foi ocupada no terceiro milénio antes da nossa era, sendo uma das cidades mais antigas da bacia do Mediterrâneo, portanto com mais de cinco mil anos, sendo logo de seguida colonizada por uma tribo vinda do Mar Egeu, os Lelégios, antepassados dos Carianos.
Por volta de 1500 a.n.e., ou mesmo a partir de 500 anos antes, toda esta zona foi dominada pelos Hititas
«O nome “hitita” procede do Antigo Testamento, onde os habitantes com esse nome surgem a desempenhar dois papéis diferentes: primeiro, como uma das nações pré-israelitas da terra de Canaã e, em segundo lugar, como um grupo de reinos situados a norte de Israel, na actual Síria, cujos reis estabeleceram relações com Salomão e com os faraós do Egipto. As fontes assírias posteriores chamam ao conjunto desta área “Hatti”, mas os seus habitantes não constituíam nessa época uma nação e eram de origem e língua mistas. De facto, tinham herdado o nome e grande parte da sua civilização do reino primitivo de Hatti, conhecido para os egípcios como “Kheta”, localizado no Norte da Ásia Menor (Anatólia), reino que floresceu durante cerca de quinhentos anos (c. 1700-1190 a. C.) e que chegou a ser uma das grandes potências da Ásia ocidental antiga. Dada a sua grande importância histórica, os súbditos deste grande reino são conhecidos, na actualidade, como “os hititas”». (in Império Hitita. Infopédia. Porto Editora, 2003-2010. http://www.infopedia.pt)
O domínio do Império Hitita manteve-se até à chegada dos «Povos do Mar», instalados na Jónia, onde formaram a Federação Jónica, composta por 12 cidades, sendo Esmirna (Izmir) uma das cidades mais importantes desta Federação.


Desta vez não vou perder um capítulo, António, eu que gosto tanto de ler o Pamuk.
Vamos a ver se eu consigo terminar o texto da viagem antes de o blogue terminar o que já enviei.
Não faz mal. Faz-se um intervalo.