MINOTAURO – por Fernando Correia da Silva

 Agora o Minotauro exorbita, exige que se acabe com rompimento da teia, quais sejam os fios e estejam onde estiverem. Já está a mexer os pauzinhos para solapar de vez a soberania das nações, impõe que nelas o Direito Constitucional seja substituído pelo Direito Comercial. Se uma greve em Lisboa travar o lucro de uma firma em Chicago será declarada ilegal e em Lisboa será punida. Só consente que as nações finjam a soberania desde que não molestem o Santo Lucro, ele é que é o novo imperador global, de norte a sul, de leste a oeste. Plantas carnívoras? Corrijo: será mas é a trama absoluta da aranha omnipresente, que o Minotauro já tudo vai podendo ser, até aranha, metamorfoses… E nós somos as moscas. Brancas, pretas, amarelas, vermelhas ou até às riscas, não interessa nem a cor, nem o padrão. Moscas somos, sempre…

Naquela confusão de histéricos a gesticular e a gritar, também consigo reparar que mais sobem as cotações dos títulos das companhias que anunciam o despedimento de mais e mais trabalhadores. É assim que o Monstro agora ceifa. É assim que ele faz a razia pós-moderna. Já nem se dá ao cuidado de produzir riqueza, limita-se a jogar à batota, é poker desenfreado, é bluff, é especulação que ferve. A cada carta que bate na mesa, o Minotauro atira milhares da famílias para o zero absoluto

In LIANOR

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