DIÁRIO DE BORDO, 19 de Setembro de 2012

O Correio da Manhã talvez não seja o melhor jornal português. Que os nossos veneráveis jornais nos perdoem (mais a rádio, a tv,,,), mas a maioria não são melhores que o Correio da Manhã.  E só alguns são um pouco melhores. Na realidade, o Correio da Manhã (CM) não é grande jornal. Contudo tem alguns comentadores de qualidade, mesmo de boa qualidade. E lido de ponta a ponta, descobrem-se muitas coisas interessantes. Outras lamentáveis, o que, bem vistas as coisas, é perfeitamente natural. O facto é que todos (ou quase todos… ele sempre há uns tipos que gostam de armar) lemos o Correio da Manhã, em casa, no café, onde calha. E isso é importante.

Entretanto, o CM tem muitas secções, crónicas e semelhantes. Também umas melhores, outras piores. Entre elas, o Banalidades, assinado por Banana Split. Também ele, umas vezes melhor, outras vezes pior. Contudo, domingo passado, 16 de Setembro, Diário de Bordo leu o Banalidades e não resiste, com a devida vénia, a transcrevê-lo:

Perder população

Segundo o sociólogo António Barreto, Portugal pode perder entre 10 a 30% da sua população nos próximos 20 a 30 anos. Uma afirmação que revela um profundo conhecimento do País. Com efeito, se os portugueses tivessem como e para onde ir, os tais 10 ou 30% fugiriam daqui já nos próximos 20 a 30 dias.

A ironia está muito bem aplicada. António Barreto limitou-se a afirmar, com alguma repercussão na comunicação social, aquilo que toda a gente já sabe.  Poderia ter aplicado melhor os seus enormes conhecimentos (Diário de Bordo acha que, pelo menos, tem obrigação de os ter) a analisar as razões que levaram ao actual estado de coisas. É verdade que, igualmente, todos sabemos que a concentração excessiva de riqueza é uma das causas do actual estado de coisas, a par com uma problemática integração (?) na Europa.

As elites portuguesas têm graves responsabilidades pelo que se passa no país. É um problema que não começou ontem, nem a seguir ao 25 de Abril, nem ao 5 de Outubro. Vem muito detrás. Temos elites bem pensantes, com muita formação, muitas ideias.  Mas que se debatem com um grave problema: sabem que o país carece de mudanças, falam imenso delas, mas não as desejam. Por isso, andam por aí, e,  de vez em quando, deparam com um microfone e dizem qualquer coisa. Ou então escrevem numa coluna. Qualquer coisa que toda a gente está farta de saber. Assim, não chocam ninguém que interesse.

Que acharão da manifestação de sábado passado? Seria interessante que dessem uma opinião. Opinião, não insultos.  Que fazer para estancar a emigração, que nos leva os melhores cidadãos e profissionais? Também era bom que se pronunciassem sobre essa matéria. E que reconhecessem que se há alguém em Portugal que não quer deixar a “zona de conforto” (melhor dito “zona de ripanço”) são as suas elites, económicas e não só. Eles próprios.

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