Manual do perfeito ”bankster”, lição 3: facilitar a evasão fiscal – III
O banco UBS ataca Igor Olenicoff por «denúncia caluniosa»
Valère Gogniat
Igor Olenicoff, aqui em Newport Beach, na Califórnia, em 2009. O empresário russo foi considerado culpado de evasão fiscal em 2008.. (Tim Rue/Corbis)
Depois de ter ganho uma batalha no Tribunal dos Estados Unidos em 10 de Abril, o banco UBS exige agora 3 milhões de dólares de compensação
A queixa da UBS foi apresentada contra o multimilionário Igor Olenicoff, a sua empresa, Olen Properties e os juristas que o aconselharam . De acordo com um documento obtido pelo jornal Temps , o banco acusa-os de “acusação maldosa ” – que se poderia comparar, no direito penal suíço, a “uma denúncia caluniosa”).
Apresentado em 7 de Agosto, no Tribunal Superior do Estado da Califórnia, esse ataque segue-se a uma queixa anterior apresentada pelo mediador imobiliário americano-russo contra UBS pelos conselhos sobre fraudes em matéria fiscal. Em 10 de Abril, a justiça americana rejeitou esta queixa, mas a UBS parece não estar satisfeita com esta decisão. “Essa queixa visa demonstrar que Igor Olenicoff agiu sem fundamento e com maldade quando apresentou uma acção contra UBS agora rejeitada, disse um porta-voz da UBS. O banco requer de toda a maneira e em forma de compensação cerca de 3 milhões de dólares e avisa: «o banco UBS não hesita em pretender uma reparação daqueles que apresentam queixas infundadas contra o banco».
Entre Novembro de 2001 e Outubro de 2005, Igor Olenicoff – um dos 150 americanos mais ricos, segundo a Forbes magazine – tinha contas no banco UBS, sob os conselhos do gerente de fortunas Bradley Birkenfeld (saído da prisão a 1 de Agosto passado). O homem de negócios russo foi a primeira grande fortuna a ser apanhada pelos serviços fiscais americanos por evasão fiscal, levando nessa sequência a um diferendo entre a Suíça e os Estados Unidos.
Em 2008, depois de se considerar culpado de fraude fiscal e de ter pago 52 milhões de dólares em impostos ao governo dos EUA, Igor Olenicoff “procurou fazer com que a culpa da sua má conduta fosse da responsabilidade de UBS (e dezenas de outros “conspiradores”), explica o banco na apresentação da sua queixa de 14 páginas. ” O banco UBS foi forçado a gastar imenso tempo e imensos recursos internos assim como gastou milhões de dólares” para se defender dos ataques de Igor Olenicoff e dos seus advogados. O banco assegura ter “sofrido na suas reputação e nos seus interesses comerciais”.

