POESIA AO AMANHECER – 48 – por Manuel Simões

Sílvio Castro – Brasil/Itália

( 1931  –   )

 

ÍTACA BIPARTIDA

Naufragar é preciso para chegar a Ítaca

que deixei ao amanhecer e ora é noite.

Navego seguindo as estrelas desta noite

iluminada e bela na viagem andante.

Por sóis, estrelas e planetas perambulo,

Navegante sonâmbulo, mas piloto claro.

Estas minhas são rotas não sabidas, des-

conhecidas na espera da ilha bipartida.

Tudo é sereno no navegar com a brisa

da calmaria que leve beija minhas velas:

nela me imobilizo e quieto espero por

saber se cheguei à ilha ou para ela parto.

(de “Poemas construtivos”)

Argonauta desde a primeira hora, publicou o seu primeiro livro de poesia, “Infinito sul” em 1956. Da sua obra poética citam-se ainda: “Sol e só” (1962), “Tempo veneziano” (1967), “Viver em Malabase”(1993), “Poesia per pitture di Luigi Rincicotti” (1994), “Poesia reunida” (1998), “Gira mu(o)ndo” (2003), “Poemas construtivos” (2007).

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