Sílvio Castro – Brasil/Itália
( 1931 – )
ÍTACA BIPARTIDA
Naufragar é preciso para chegar a Ítaca
que deixei ao amanhecer e ora é noite.
Navego seguindo as estrelas desta noite
iluminada e bela na viagem andante.
Por sóis, estrelas e planetas perambulo,
Navegante sonâmbulo, mas piloto claro.
Estas minhas são rotas não sabidas, des-
conhecidas na espera da ilha bipartida.
Tudo é sereno no navegar com a brisa
da calmaria que leve beija minhas velas:
nela me imobilizo e quieto espero por
saber se cheguei à ilha ou para ela parto.
(de “Poemas construtivos”)
Argonauta desde a primeira hora, publicou o seu primeiro livro de poesia, “Infinito sul” em 1956. Da sua obra poética citam-se ainda: “Sol e só” (1962), “Tempo veneziano” (1967), “Viver em Malabase”(1993), “Poesia per pitture di Luigi Rincicotti” (1994), “Poesia reunida” (1998), “Gira mu(o)ndo” (2003), “Poemas construtivos” (2007).

