Foi assim que Jorge Luís Borges o imaginou. Uma imagem bonita, mesmo para quem nele não acredita. E José Saramago considerou que “É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido”.
O livro árvore- Salvador Dali
Vem isto a propósito da exposição “TAREFAS INFINITAS – quando a arte e o livro se ilimitam”, a decorrer até dia 21 de Outubro na Fundação Gulbenkian. Passei pelos livros mais antigos e debrucei-me nos de poetas e pintores portugueses mais recentes : José Escada, António Pedro (de que reproduzi há uns dias uma página, com o título de “Crise”), Lurdes Castro, Alberto Carneiro, Eugénio Melo e Castro, Helena Almeida.
O texto que acompanha o livrinho que está à disposição é muito interessante, de autoria de Paulo Pires do Vale. Deixo algumas partes.
“Com o infinito nas mãos
Abrir um livro é correr o risco de encontrar o infinito. Ter ao alcance da mão, nos limites da página, o sem-limites. E de que outro modo poderíamos nós encontrar o infinito senão no finito? Mensurável, palpável, visível. Nesse espaço aberto e branco da página, nas suas dobras, pode surgir o sem princípio, nem fim, nem centro: o Livro infinito. Liberdade que é também desorientação: perdem-se as certezas e as referências habituais; os caminhos e sentidos bifurcam-se; a noite cerca-nos. Uma espécie de cegueira: o livro abre uma obscuridade essencial. A dos novos começos.
A fenda e a explosão: entrar/sair
(…) O livro tem algo de bomba. Explosão de palavras, ideias, imaginação, sentidos – que destroem e recriam o horizonte de possibilidades em que nos movemos. E exigem de nós: faz, pensa, vê, sê!
O fogo e o livro por vir
Os livros são perigosos: ateiam-nos fogo. Temíveis: por isso, são atirados ao fogo. Há uma relação íntima entre o livro, o fogo e as cinzas. Como a consciência de que o livro da nossa vida nos pode queimar. De que somos livro a ser escrito.(…)”.
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